SOROCABA E REGIÃO

Antiga estação abriga vagões abandonados



Laurin Bizoni
laurin.bizoni@jcruzeiro.com.br
Programa de estágio


Há cerca de 20 anos, mais de 200 vagões estão estacionados na antiga estação de Iperó. O caso vem sendo alvo de discussão judicial entre a administração municipal e a América Latina Logística (ALL), dona do patrimônio, para a remoção dos contêineres ferroviários. Além de causar transtorno aos munícipes que utilizam o caminho para acesso aos bairros Novo Horizonte e Vila Santo Antônio, o abandono das composições nos trilhos tem gerado problemas de segurança pública, já que o local é utilizado por marginais como esconderijo.

Além das medidas administrativas, a Prefeitura informa que já entrou com duas ações contra a ALL. A primeira determinou a remoção de todos os vagões do entorno da Estação Ferroviária, sendo fixada multa diária de R$ 1 mil pelo descumprimento . Mas de acordo com a administração municipal, a empresa tem se esquivado do cumprimento da medida e do pagamento da multa sob a alegação de que a responsabilidade também é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte do Estado de São Paulo (DNIT).

Na segunda demanda judicial, a Prefeitura requereu a limpeza dos vagões e do entorno da estação, que é rodeada de mato alto e sem qualquer manutenção por parte da ALL. Nesta ação, o município aguarda a manifestação judicial quanto ao pedido liminar.

A ALL informou que está impedida de fazer a retirada dos vagões inativos em virtude de uma determinação judicial da 3ª Vara Federal de Piracicaba. A empresa não esclareceu, no entanto, o teor de tal determinação.

Impasse antigo

Em 2011, a Justiça ordenou à ALL que removesse todos vagões e deixasse a área livre. Mas, na época, a empresa informou que nenhuma notificação judicial chegou ao escritório central, no Paraná. Por esse motivo, não teriam a obrigação de solucionar o problema. No ano passado, moradores perceberam que funcionários da ALL desmancharam alguns dos vagões. Durante dias, equipes trabalharam com maçaricos para separar peças. Mas as obras foram interrompidas e o material continuou espalhado pelo chão. O local tem projeto para se tornar o Centro Cultural da cidade, onde serão oferecidas atividades sociais e culturais, além de abrigar um cinema.

Risco aos moradores

O aposentado José Barbosa, de 75 anos, há 10 anos mora perto da passagem, ainda se recorda de quando a estação funcionava. "Antes era motivo de orgulho, agora é esconderijo de bandido", diz. Ele afirma que o problema é sempre jogado de um lado para outro, mas quem realmente sofre com as consequências são os populares. "Entra prefeito, sai prefeito e nada muda. Essa ponte toda engradada que construíram não ajuda em nada, pelo contrário, é só uma forma que encontram para fingir que algo está sendo feito, mas não está. Acho que só com manifesto do povo é que vão resolver alguma coisa", reclama.

Já o operador de máquinas Severiano Ferreira de Lima, de 42 anos, há 12 anos passa diariamente pela estrada e diz que o risco dos moradores não é apenas durante a noite. "É comum alguém ser assaltado aqui neste caminho, mesmo de dia. Semana passada, um dos meus vizinhos, aposentado, chegou chorando em casa, pois retirou todo o pagamento do mês no banco e quando passou na ponte, no período da tarde, foi roubado. Quem tem que passar pelo local, não importa o horário, tem medo", comenta. (Supervisão: Rosimeire Silva)


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