SOROCABA E REGIÃO

Ocorrências de envenenamento de cães causam preocupação


Laurin Bizoni
laurin.bizoni@jcruzeiro.com.br
programa de estágio

Casos de envenenamento de animais vêm preocupando os moradores do bairro Altos de Votorantim. Na última quarta-feira, quatro cachorros de três casas diferentes, na rua José Roque Guerra, tiveram vômitos depois de consumir pedaços de salsicha com o veneno conhecido como chumbinho. Nenhum cão morreu. A câmera de monitoramento de uma das casas conseguiu registrar o momento em que meninos corriam pela rua e jogavam as salsichas envenenadas nas residências.

O dono de um dos animais, Felipe Silveira, 29 anos, teve seu cachorro vira-lata envenenado. Só não perdeu o animal de estimação por ter socorrido a tempo e levado a uma clínica veterinária particular. Segundo Felipe, ele não chegou a procurar a Zoonoses por ser muito burocrático. "Eles só acompanham o caso, se o animal já estiver morto", afirma. Felipe registrou um boletim de ocorrência no dia seguinte ao ocorrido. "Quis registrar o crime justamente pelo vídeo flagrando os meninos jogando o alimento com veneno aos meus cachorros e também aos cães dos vizinhos", comenta o dono, que congelou um dos pedaços da salsicha com chumbinho como prova. Sobre os suspeitos que aparecem na filmagem, Felipe conta que a Polícia Militar pediu a cópia do vídeo, assim que foi efetuado o boletim de ocorrência para poder visualizar quem são e notificá-los.

A moradora da casa da frente da residência de Felipe, Marcele de Moura, teve duas vezes os cachorros envenenados. "Dessa vez, não tive que levá-los ao veterinário, pois logo vomitaram e não tiveram nenhuma reação preocupante. Mas da primeira vez, há dois meses, tivemos que ir até a clínica onde foi constatado no laudo que eles tinham ingerido o chumbinho. A sorte foi que a quantidade era pequena para a pastora alemã, mas a outra cachorra, que é de porte menor, teve que ficar em observação", conta.

O quarto animal envenenado na mesma rua também é uma fêmea e está prenha. A dona do animal conta que a crueldade foi feita na mesma noite que as outras cadelas. "Ela vomitou alguns pedaços pretos, mas não chegamos a levar ao especialista por que logo ela melhorou. Porém, fico preocupada, pois se fazem isso quando estou dentro da casa, fico com medo quando não estou aqui", comenta Viviane Aparecida Soares da Silva. Segundo os donos dos animais, nenhum cachorro tem o costume de ficar solto na rua, mas já tiveram reclamação de barulho de latidos de outros vizinhos.

Boletim de ocorrência

Segundo o delegado José Antônio Belotti, titular do 2º Distrito Policial e da Delegacia de Atribuição de Crimes Ambientais e de Maus-tratos dos Animais, qualquer testemunha de violência deve procurar uma unidade policial para registrar boletim de ocorrência, mesmo que não seja na delegacia especializada, e sim, no distrito mais perto da vítima. O procedimento após o boletim de ocorrência é ouvir todas as partes envolvidas, além da junção de um laudo médico ou da ocorrência e a documentação encaminhada para o juizado criminal.

Os interessados em registrar boletim de ocorrência de animais vítimas de envenenamento que morreram devem ter em mãos o laudo técnico de especialistas. A primeira providência a ser tomada é entrar em contato com a Seção de Controle de Zoonoses de Sorocaba. A lei municipal 8.354, artigo 22 de 2007, prevê a exigência de profissionais capacitados ao manuseio do animal envenenado, para coleta do sangue para a formulação do laudo técnico. Na sequência, a própria Zoonoses irá constatar a perícia técnica do animal e produzir o laudo. Depois do documento comprovando o envenenamento, o dono deve procurar o 2º Distrito Policial para poder registrar o boletim de ocorrência. É importante lembrar que é a responsabilidade da saúde e preservação do animal é sempre do dono. (Supervisão: Juliana Simonetti)



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