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SOROCABA E REGIÃO

Pacientes têm uma vida normal

"Queria que ele fosse perfeito para eu poder entender as angústias dele, o que ele quer e o que estraga o dia dele", lamenta a artista plástica Deise Cristine Ferreira Ribeiro, mãe do pequeno Denis, de 6 anos de idade, uma das muitas vítimas do autismo. Os primeiros indícios da síndrome, conta ela, apareceram pouco antes do menino completar 2 anos. "A primeira palavra dele foi "mamãe", mas depois nunca disse mais nada", lembra.

Ao lado do marido, o metalúrgico Jorge Francisco Ribeiro, de 39 anos, Deise procurou a ajuda de uma fonoaudióloga, que achou muito cedo para iniciar um tratamento de fala. O diagnóstico oficial deu-se dois anos mais tarde. "Ele ficava assistindo televisão quietinho e todo mundo achava normal. Quando soube, fiquei muito triste, é duro. Sofri muito e ainda sofro com isto", admite a mãe, de 38 anos.
Denis convive hoje com um dos estágios mais leves da doença e consegue enxergar-se, praticamente, como os outros ao redor. Matriculado no primeiro ano do ensino fundamental, o menino passou a brincar com outras crianças e a ir bem na escola, apesar da dificuldade em aprender a contar: por enquanto, ele só sabe até o número 10. "Ele é bem esperto, participa de tudo e os amigos gostam dele na escola", conta a mãe.

Mas se a matemática não é o forte do pequeno Denis, talvez os traços artísticos corram na suas veias. Inspirado pela mãe, ele risca, pinta e rabisca o tempo todo. "Ele adora pintar", orgulha-se Deise. O irmão Erick, três anos mais velho, também tem sua parcela de ajuda. "Eles brincam e brigam juntos: um não vive sem o outro". Vez ou outra, no entanto, o menino se pega chorando sem parar. "Ele fala pouco e não consegue nos responder dentro de uma conversa, por isso não adivinhamos o motivo quando ele chora", explica a mãe.

Talvez, acredita a artista plástica, o menino chore quando ache que as pessoas estão se distanciando dele. "As crianças não têm preconceito com ele, os adultos que têm". É comum Denis se sentir sozinho porque os pais de seus amigos querem distanciá-los de uma criança autista. "Fora o preconceito, meu filho vive uma vida normal", acredita a mãe.

O dia a dia de Thiago Henrique Anselmo, de 10 anos, também é comum apesar do autismo. O menino não fala mas, quando é necessário, solta algumas palavras. Também não brinca com outras crianças, mas não procura fugir delas. O quadro de evolução é, segundo a mãe Kátia Regina Pedroso Anselmo, de 40 anos, reflexo do intenso tratamento realizado com neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e outros especialistas desde que a doença foi descoberta, oito anos atrás. "Ele vai entendendo melhor as coisas conforme vai crescendo e amadurecendo, mas ainda depende de nós para tomar banho, por exemplo", explica a mãe.
A síndrome deu seus primeiros sinais de vida em pequenas atitudes de Thiago. O menino não demonstrava interesse em conversas nem em pessoas e, quando ganhava um brinquedo dos pais, preferia a embalagem ao objeto em si. "Quando descobrimos, fiquei abismada porque não tinha ouvido falar em autismo e não tenho caso da doença na família", admite Kátia.

Comemorações
Com o objetivo de apresentar o autismo, livre de preconceitos e do senso comum, a AMDE - Centro de Excelência em Autismo realiza a segunda edição do Seminário sobre Autismo de Sorocaba, neste sábado, dia 6 de abril. O evento gratuito consiste, basicamente, na apresentação de uma série de palestras sobre a doença entre as 8h30 e as 17h, com intervalo para almoço das 12h às 13h30.
Dentre os assuntos a serem discutidos estão os principais conceitos dos Transtornos do Espectro do Autismo ao longo da vida, as intervenções medicamentosas, o atendimento odontológico do autista, as comorbidades no TEA, os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo, autismo e educação e a importância da família em defesa dos direitos das pessoas com TEA.
As palestras e discussões serão ministradas pelos psiquiatras da infância e adolescência Daniel de Sousa Filho e Cláudia Antila, pela odontologista Adriana Zink, pela nutróloga Simone Pires, pela defensora pública do Estado de São Paulo com atuação na defesa das pessoas com TEA, Renata Flores Tibyriçá; e pelo pedagogo com habilitação em Educação Especializada em Autismo, Fábio Oliveira. A Creche Especial Maria Claro e a representante do Movimento Pró Autista de São Paulo, Ana Ruiz, também se apresentarão.
As inscrições para o seminário podem ser realizadas pelo e-mail inscriçãoamdeautismo@hotmail.com. Para entrada no evento, os organizadores pedem a doação de um quilo de alimento não-perecível. Os participantes receberão um Certificado de Participação. Com capacidade para 300 pessoas, as palestras acontecem no salão de festas da Maria Claro, localizada na rua João Wagner Wey, 1.240, no Jardim América.

Um curso de formação na abordagem TEACCH de tratamento das pessoas diagnosticadas com autismo também está programado para os dias 13, 14 e 15 de junho. Outras informações podem ser obtidas por meio do e-mail associacaoamde@hotmail.com ou pelos telefones (15) 3211-0314 e 3211-1955.
Em Araçoiaba, por sua vez, a Secretaria Municipal da Educação realiza hoje, em parceria com a Instituição Casa da Vó da Paloma, uma passeata em conscientização ao Dia Mundial do Autismo. A passeata sairá da Praça Coronel Almeida (Matriz), às 8h30. Todos os participantes devem usar peças de roupa da cor azul durante o evento, por ser considerada a cor símbolo da doença no mundo.


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