SAÚDE

Mães reivindicam alterações no sistema pré-natal


Maíra Fernandes
maira.fernandes@jcruzeiro.com.br

Lendas e crendices a parte, o que prevalece entre os profissionais da saúde é que o leite materno faz bem para o bebê e para as mães. E para difundir a necessidade de amamentação até os seis meses da criança, além da defesa de humanização no parto, o Movimento de Apoio à Humanização do Parto em Sorocaba (Mahps), realizou na manhã de ontem o "Mamaço Sorocaba", no Parque Campolim. Com presença de mães, futuras mamães e profissionais na área de saúde, o grupo chamou a atenção do público que conferia a atração do projeto Tom Natural e passou seu recado. "O que pedimos é uma mudança no modelo de assistência pré-natal, que já vem acontecendo no mundo todo e estamos disseminando em Sorocaba", explica a bióloga e doula (acompanhante de partos), Gisele Leal, que mantém o blog: http://mulheresempoderadas.wordpress.com/.

Segundo a conselheira em amamentação e capacitadora dos Hospitais Amigos da Criança pelo Ministério da Saúde, Cláudia Gondim da Silva, o trabalho que realiza é em prol da implantação dos 10 passos para o aleitamento materno, sugerido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que são: ter uma política de aleitamento materno; treinar funcionários para efetuar essa prática; informar as gestantes sobre os benefícios da amamentação; ajudá-las a iniciar o aleitamento meia hora após o parto; ensiná-las como amamentar; não dar aos recém-nascidos nenhum outro alimento, nem bebida que não seja o leite materno; praticar o alojamento conjunto; estimular que o aleitamento materno seja à livre demanda; dão dar mamadeiras, chupetas e outros bicos artificiais ao bebê e promover a criação de grupos de apoio ao aleitamento materno e encaminhar as mães aos mesmos.

Para Cláudia, ainda falta muito para que Sorocaba se enquadre nesta realidade, mas o seu trabalho tem como função o auxílio nessa implementação. Considerando um panorama nacional, de que a média brasileira é de 54 dias de amamentação pelas mães, a profissional aponta para esse problema e argumenta com base nos benefícios do leite materno. Além de fortalecer a saúde do bebê e ajudá-lo até quando adulto, já que a amamentação pode evitar diversos problemas futuros, ela explica que as mães também têm benefícios com a amamentação, como a perda de peso. "Gastam muitas calorias na fabricação de leite, pois perdem gordura, e logo voltam a antiga forma", reforça Claudia.

Além do lado da saúde, ela ainda pontua a questão do vínculo entre os dois, fortalecidos pela amamentação. Um bom exemplo é a estudante Maiara Fogaça, que no evento amamentava a filha Sofia Fogaça, 2 anos. "Logo que nasceu ela veio para o peito, não introduzi outro alimento", fala apontando os principais benefícios que obteve com a prática, como a saúde da filha, que há um ano não pega gripe, nem resfriado. Além da forma física da mamãe, que voltou ao normal mais rápido. esmo já tendo passado os seis meses pedidos pela OMS, Maiara não nega o peito à filha, "mas ontem ela passou o dia todo sem pedir o peito, aí já fiquei pensando: nossa, ela está crescendo", avalia a jovem mãe, achando graça do processo de crescimento da menina.


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