EDITORIAL
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Prevenção necessária




Todos os anos o Ministério da Saúde e secretarias estaduais e municipais dessa área iniciam a distribuição de preservativos e organizam campanhas educativas contra a aids às vésperas do Carnaval. Este ano não foi diferente. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, lançou na última terça-feira, em Salvador, a campanha de prevenção de aids com o mote: "No Carnaval use camisinha e viva esta grande alegria". A peça publicitária mostra foliões heterossexuais, homossexuais e transexuais durante a folia, enquanto são exibidos números de portadores do vírus no Brasil que não sabem que estão contaminados e de pessoas soropositivas que não se tratam com antirretrovirais. Além do uso de preservativos, a campanha incentiva os foliões a fazerem o teste de HIV.

Campanhas educativas sobre a doença e a transmissão do vírus sempre são importantes tendo em vista o número de pessoas infectadas existentes no País. Dados da Unaids (programa das Nações Unidas criado para ajudar países no combate à aids) informa que no Brasil temos hoje 830 mil pessoas vivendo com o vírus HIV. É um número alto e preocupante. Reportagem publicada na edição de ontem do Cruzeiro do Sul (Casos de aids aumentam em Sorocaba nos últimos três anos, pág. B5, 22/2) mostra que a contaminação pelo vírus HIV vem crescendo apesar dos esforços das autoridades da área da saúde. De acordo com a notícia, Sorocaba registrou 202 novos casos de HIV/aids no ano passado, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde. Foram oito casos a mais que no ano anterior. Os números de 2016, segundo o texto, também superaram os de 2015, com 194 casos e de 2014, com 145, embora sejam menores que os 219 casos de 2013 e 310 de 2012.

É difícil entender que com toda a informação disponível e a distribuição gratuita de preservativos promovida pelo governo, a doença continue avançando de forma preocupante. A Prefeitura de Sorocaba executa um trabalho importante nesse sentido por meio do Programa Municipal DST/aids, que faz a distribuição permanente de materiais educativos e preservativos em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Faz também parcerias com empresas, escolas, instituições e terminais de ônibus que queiram auxiliar na distribuição desses materiais. Durante o Carnaval, haverá um reforço nesse trabalho. A Secretaria de Saúde do município ainda oferece testes rápidos nas UBSs e assistência no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) que é a unidade de referência para testes rápidos.

Em artigo publicado recentemente no jornal O Estado de S. Paulo pelos médicos e professores Vicente Amato Neto e Jacyr Pasternak, ambos com larga experiência na área de doenças infecciosas e parasitárias, contam como assistiram à chegada da doença no Brasil, nos anos 80, e os avanços que foram conseguidos para controlá-la nos últimos anos, mas alertam sobre a necessidade absoluta dos métodos preventivos. Informe do Ministério da Saúde divulgado no site especializado sobre IST/aids mostra que a forma de transmissão entre os maiores de 13 anos de idade prevalece a sexual. Nas mulheres, diz o texto, 86,8% dos casos registrados no ano de 2012, quando foi feita uma pesquisa aprofundada, decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas com HIV. Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por relações bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical. O Ministério alerta que apesar do número de casos no sexo masculino ser maior entre os heterossexuais, a epidemia é concentrada em grupos populacionais com comportamentos que os expõem a um risco maior de infecção, como homossexuais, prostitutas e usuários de drogas.

Dessa maneira, a prevenção é fundamental para se evitar uma possível contaminação. A geração mais jovem, que não acompanhou a tragédia que foi a chegada da doença no Brasil, ceifando centenas de vidas, interrompendo carreiras artísticas brilhantes como a dos cantores e compositores Cazuza e Renato Russo, precisa ficar alerta. A Unaids, em levantamento divulgado em 2015, estimou que pelo menos 15 mil pessoas morreram em consequência da aids no Brasil, um número superior ao de muitas guerras e revoluções registradas ao redor do mundo nos últimos anos. O comportamento de risco pode ser fatal.