ARTIGOS


Tocando em frente




Geraldo Bonadio

Em suas preces diárias, comece por dar graças ao Altíssimo pelas bênçãos que concedeu e continua concedendo a você: o amor dos pais, os ensinamentos da escola, as experiências da vida, o apoio dos amigos, a ternura do cônjuge, o pão de cada dia, a saúde, o teto que o abriga, a convivência com os filhos, a chance de vê-los crescer, sua permanente disposição para trabalhar, sonhar, gerar e executar projetos...

O anseio de progresso é essencial ao seu avanço. Outra não é a razão pela qual o Senhor o colocou dentro de seu coração. Batalhe vigorosamente para obter aquilo de que sente falta. Só não permita que essa ambição saudável degenere e vire insatisfação crônica.

A insatisfação desmesurada atrofia, naqueles em quem se instala, a capacidade de valorar de forma adequada os dons recebidos e o conjunto de circunstâncias favoráveis reunidas em suas mãos. A partir daí a pessoa não se dá conta que tais circunstâncias são meio caminho andado rumo a suas metas e que, bem utilizadas, permitiram a ela empreender, vitoriosamente, a concretização de seus sonhos. Encharcado de amargura, o insatisfeito morre de sede numa ilha de mil fontes e vertentes.

Quem se habitua a inventariar seus tesouros descobre que são maiores e mais valiosos do que supunha. Passa a ver, em cada um deles, a demonstração concreta e constante do amor do Pai em relação à sua pessoa.

Robustece, pois, a determinação de prosseguir, certo de que, através de Jesus, o Onipotente continuará a prover os meios necessários para que possa inserir-se no plano divino de aperfeiçoar o mundo e levar toda e cada uma das pessoas à plena realização.

"(...) vamos em frente, na mesma direção que temos seguido até agora."

Filipenses 3:16 Nova Tradução na Linguagem de Hoje
Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com


Brinde à amizade!




José Milton Castan Jr.

Leitor amigo:

Para começarmos o ano com bons pensamentos e alto astral...

É vero: amigo, amigo mesmo não tem data de validade, se é dos tempos antigos ou garimpo recente.

Marco é amigo novo. Descende de italianos, e como bom representante gosta de comer, beber e falar. Aliás, sua voz ribomba como trovão, mas seu falar nos leva suavemente para longe sem perceber. Seu corpanzil impõe respeito, o coração é de criança.

Amizade é assim, mesmo em pouco tempo aprendemos a gostar.

Jornalista especializado em gastronomia com muitas histórias, viajou mundo afora na deliciosa profissão de pontuar restaurantes, hotéis e comidas. Papeávamos num café compartilhando brie com damascos quando me contou uma história sobre seu assunto preferido: vinho. Falou sobre o escândalo conhecido na Itália como Brunellopoli.

Cabe explicação detalhada do neologismo Brunellopoli: advém da junção do prefixo referindo-se aos vinhos Brunello produzidos na província de Siena, mais exatamente na Toscana, na comuna de Montalcino, e uma das "joias da vitivinicultura italiana". O adjetivante sufixo "poli" compõe a palavra, fazendo comparação e referência ao "Tangentopoli". Para quem não se lembra "Tangentopoli" foi o famoso caso de corrupção descoberto em 1990 na Itália com subornos nos contratos de licitação envolvendo parlamento italiano e cem número de políticos, empresários e líderes (tanto parecido né?). A palavra "tangenti" em italiano designa propina, suborno e "poli" cidade.

Conta meu amigo Marco que Brunellopoli foi o escândalo envolvendo os produtores do renomado e caro Brunello di Montalcino sob suspeita de fraude e adulteração do secular vinho. Para portar e receber a certificação de Brunello, os produtores seguem rígida norma na qual apenas a casta Sanviovese Grosso pode ser utilizada na produção. A denúncia foi que alguns produtores supostamente estavam secreta e ilegalmente adicionando outras variedades de uva para aumentar a produção e reduzir o tempo de feitura, visando aumentar lucro das vinícolas.

Um dos principais produtores decidiu retirar a designação de seus rótulos, denominando-os diferentemente e com preços mais acessíveis objetivando dar volta à crise. Em 2008 o "Consorzio Brunello de Montalcino" processou os jornais L"espresso e La Republica por difamação, pois insinuaram que os Brunellos adulterados traziam risco à saúde.

Em represália a adulteração os EUA decidiram bloquear as importações dos Brunellos, a menos que tivessem prova laboratorial comprovando cem por cento Sanviovese.

Divagando, meu amigo e eu, encontramos outra relação do poderio americano com o escândalo: Brunellopoli foi a designação dada pelos jornalistas italianos, mas em outros países ficou conhecido como Brunellogate, numa clara referência ao caso Watergate, o qual culminou na renúncia no presidente americano, o republicano Richard Nixon. Na época das eleições a sede do partido Democrata no "Complexo Watergate" havia sido invadida na tentativa de fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta. Nixon caiu, pois tinha conhecimento das operações ilegais.

Poder e dinheiro: a mola propulsora da nossa "era líquida": foi como concluímos, Marcos e eu, nossas divagações.

Amizade, simplesmente amizade: Mais antiga que o próprio vinho, tão distante das desvirtudes contemporâneas e tão próxima da essência do verdadeiro viver.

Fim do brie com damascos. Rachamos a conta e seguimos modificados pela mágica do encontro, do compartilhar e da amizade.

Um brinde às amizades!

José Milton Castan Jr. é psicanalista e escritor - www.psicastan.com.br