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Mirinho e o Karmann Ghia vermelho




José Milton Castan Jr.

Mirinho veio me pedir um favor.

O leitor lembra do Mirinho? Como faz algum tempo que não falo deste malandro, acho necessário antes, refrescar a memória. Sempre é bom lembrar que Mirinho é filho do famoso Primo Altamirando, e se você não conhece Primo Altamirando, deve ser porque anda gastando tempo demais nas redes e deixando de ler preciosidades pré-Facebook, ou seja, livros. Mirinho alto representante da fina flor dos bons-malandros, sempre arranja jeito de se dar bem.

Como dizia, Mirinho veio me pedir um favor:

--- Vi ontem numa agência de carros um Karmann Ghia modelo 1964, vermelho, conversível, pneus faixa branca, para-choques cromados, enfim, uma joia rara! - me falava Mirinho todo empolgado - foi amor à primeira vista, entrei na loja perguntando o preço da preciosidade, o vendedor percebeu meu interesse em demasia, e jogou o preço nas alturas.

Se bem conheço Mirinho, tinha gato dentro desta tuba, ou melhor, gato dentro do porta-malas do carro. Fiquei atento e deixei o picareta continuar:

--- Você me faria um favor? - pediu com cara de coitado - você não ligaria na loja pra perguntar o valor do carro?

--- Como assim? - perguntei receoso.

--- Ligar e perguntar o preço do Karmann Ghia! - respondeu agora com cara de pilantra.

--- Só isso? - e eu tava bem intrigado.

--- Pô cara, não né! Fala que você tá interessado no carro, essas coisas, ele fala o preço, você chora e diz que vai pensar...

--- Mirinho... mas é só isso mesmo? Tem certeza? Não é pra eu financiar o carro no meu nome, nê?

--- Não... juro...! Só ligar e falar que tá interessado.

Falei que iria ligar. Mas uma coisa ficou me atazanando: Se era para saber o preço do carro, Mirinho mesmo poderia ligar. Estranho! Resolvi ligar na agência. O vendedor disse que o Karmann Ghia já não estava mais na loja, pois o carro ficara em consignação por três meses, e como estava difícil vender, o dono do carro havia levado embora há uma semana atrás. O vendedor disse que poderia entrar em contato com o dono e intermediar a venda. Mesmo sem querer acabei dando o número do meu telefone. Desliguei e fiquei mais intrigado ainda. Me acompanhe, o leitor, pois o gato tava miando: Mirinho não havia me falado que ""ontem"" entrou na loja? E agora o vendedor não me disse que o carro não estava na loja há uma semana? Pois bem, achei melhor largar mão deste assunto, pois tinha alguma armação de Mirinho, e eu queria ficar bem longe!

Passada uma semana e não mais vi Mirinho. Até que toca o telefone, era o vendedor da agência falando sobre o Karmann Ghia vermelho. Não entendi direito aquela ligação, então fui até a loja tirar a limpo. Para minha surpresa ao entrar na loja vi o Karmann Ghia exposto bem na entrada com placa de vende-se. O vendedor me explicou que o carro estava de volta, pois, de uma semana para cá, coincidentemente, havia recebido várias ligações, além da minha, de pessoas interessadas no carro. E completou: o proprietário não queria trazer de volta e deixar em consignação, somente se comprássemos. Então compramos o carro. Achei a coisa toda muito estranha. Solicitei para ver o documento do carro, e a grande surpresa: proprietário - Altamirando Filho - o próprio Mirinho!

Entendi a pilantragem: Mirinho já era dono do Karmann Ghia. Resolveu vendê-lo e há três meses atrás deixou na loja em consignação. Como não vendia armou o plano: tirou o carro da agência, me pediu para ligar, assim como ele mesmo deve ter ligado várias vezes para a loja, sem se identificar, mostrando interesse. Quando a loja solicitou para que Mirinho trouxesse o carro novamente, o pilantra endureceu o jogo, só levaria se comprassem. Assim Mirinho se livrou da encrenca.

Até gosto do Mirinho, um bom malandro, mas ele está meio fora de moda nestes tempos bicudos, de temas carrancudos e sem graça, de malandragens na casa dos bilhões, e prejuízos a milhares!

José Milton Castan Jr. é psicanalista e escritor - www.psicastan.com.br

A luz no final do túnel está se aproximando




Flavio Amary

O brasileiro, por gostar, acompanha novelas e futebol, mas por necessidade, aprendeu economia. Presentes nas décadas de 80 e 90, no século passado, os mais velhos vivenciaram os diversos planos econômicos e os períodos de altíssima inflação.

Apenas na grande recessão (1929), portanto, quase 100 anos atrás, o País teve dois anos seguidos de diminuição do Produto Interno Bruto (PIB), e agora, novamente, estávamos caminhando para o terceiro ano seguido, o que seria um fato único na história do Brasil.
Com muitos problemas e ainda muito para se resolver, conseguimos mudar o rumo do transatlântico chamado Brasil, e começamos a discutir assuntos antes intocáveis como mudanças significativas na previdência e nas relações trabalhistas.

Conseguimos limitar, constitucionalmente, o crescimento de gastos públicos, o que parece ser básico na elaboração orçamentária para qualquer família: não gastar mais do que se arrecada, o que não fazia parte dos valores do nosso governo federal.

Ouvindo o setor produtivo, o governo federal tem buscado construir uma agenda positiva, com pequenas e grandes mudanças, que de forma isolada não trarão a solução, mas quando analisadas no conjunto estão mudando para melhor o humor do brasileiro.

Os indicadores de confiança, inflação e crescimento estão, a cada nova sondagem e divulgação, com expectativas econômicas positivas. Isso tudo tem, inclusive, acelerando a queda na taxa de juros e para alguns agentes do mercado financeiro para um digito, no início do segundo semestre.

O foco de todos que ocupam cargos públicos e de lideranças da sociedade, nesse momento, deve ser a criação de empregos e a geração de renda, único indicador importante que ainda não começou a melhorar e que sem ele nada se constrói, vale pouco um esforço isolado em um nível de governo ou de um macro setor se não for uma ação coletiva.

As famílias estão muito endividadas e sufocadas financeiramente, aumentando inclusive a violência. O país necessita de emprego, é preciso incentivar os empresários dispostos a investir; é preciso celeridade aos processos de aprovação e licenciamento; é preciso segurança jurídica e legislativa; é preciso responsabilidade na gestão pública e consciência daqueles que detém o poder, da importância, para a sociedade das pessoas que aportam na produção o seu capital para gerar crescimento e renda em uma sociedade.

A dificuldade foi e continua sendo muito grande, o custo é alto e todos teremos que pagar pelo que foi feito, mas tenho certeza que estamos chegando ao final de mais um ciclo de dificuldade na história de nosso país, que conta hoje com uma equipe econômica competente e alinhada no importante objetivo de colocar nossas contas e o país no eixo positivo e de crescimento.

E para o mercado imobiliário, que vive também de ciclos, estamos com os preços estáveis e com baixa procura dos compradores que estão sem renda disponível ou se beneficiando das altas taxas de juros. O momento também é de início de um novo ciclo de valorização, afinal os preços estão estabilizados há dois anos.

Em um mercado de longo prazo, como o imobiliário, e onde cada família faz durante toda a vida, na média, menos de 2 compras, o melhor momento para se investir é exatamente o período que estamos vivendo. A saída da crise econômica está por chegar e a luz no final do túnel se aproxima a cada dia.

Portanto, se você busca a realização do sonho da casa própria, um imóvel de lazer, ou até mesmo complementar a sua renda na aposentadoria com investimento no mercado imobiliário, aproveite e bons negócios.

Flavio Amary é presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e reitor da Universidade Secovi - famary@uol.com.br