ARTIGOS
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Rosto - A vitrine do envelhecimento




Mário Cândido de Oliveira Gomes

O rosto é a maior vitrine do processo de envelhecimento. As mudanças ocorrem por alteração nas estruturas das três camadas da pele: a epiderme (mais superficial). derme e hipoderme.

Infelizmente não há cosmético que faça milagre contra a ação do tempo, mas os produtos modernos podem adiar a cirurgia plástica. Os maiores problemas da pele, que surgem dos 20 aos 70 anos, decorrem de alterações na sua estrutura, como perda de elasticidade das fibras de colágeno e elastina na derme, acúmulo de líquido e amolecimento das camadas de gordura na hipoderme, crescimento dos pêlos faciais, sobretudo no queixo, por alterações hormonais, etc. Por isso surgem as rugas, bolsas de gordura debaixo dos olhos, queda das bochechas, alongamento das orelhas, pêlos faciais e ""queixo duplo"".

Para corrigir a ação inexorável do tempo vem acontecendo uma verdadeira revolução no mundo dos cosméticos desde 1902, com a polonesa Helena Rubinstein, que começou a falar em peles seca, normal e oleosa. Com o creme Valaze à base de ervas teve início a indústria da beleza, chegando um século depois a produtos de última geração, inclusive com pesquisa da Nasa. Assim surgiram os hidratantes, filtros solares, antioxidantes, ácidos e firmadores. Os hidratantes de longa duração reduzem a perda de água, que é um dos principais fatores de envelhecimento da pele, enquanto os protetores solares diminuem os estragos causados pelo sol. Em relação à hidratação, a pele do bebê tem apenas 4% a mais de água. Todavia, esta quantidade mínima é suficiente para deixar a pele mais viçosa. Existem dois tipos de hidratantes: os que levam água para as camadas mais profundas da pele e aqueles que impedem sua perda. Os antigos eram feitos à base de óleo e água, com duração de três horas, deixando um aspecto ensebado, enquanto os modernos, chamados de ""adocicados"", pois são feitos de polissacarídeos (absine etc), atuam na pele durante todo o dia e não deixam rastro de gordura.

Os filtros solares protegem contra os raios UVA e UVB, que destroem as fibras de sustentação da pele e causam envelhecimento precoce, além de câncer. São de dois tipos: químicos, que transformam as radiações em calor e físicos, que refletem os raios de sol como verdadeiros espelhos, impedindo sua penetração na pele. As novidades no setor são muitas, como um protetor solar de ação prolongada, para ser aplicado uma vez por mês, a combinação de dióxido de titânio e óxido de zinco, que são poderosos refletores, etc.

Os cremes e loções com ação antioxidante (vitaminas C e E) prometem combater os radicais livres, que são moléculas tóxicas para o organismo e apressam o envelhecimento. Um deles é a coenzima Q10, que ataca o oxigênio reativo produzido pelo organismo. Todavia, seu efeito ainda é discutível sob a forma de creme. Os ácidos (retinóico, glicólico, kójico e fítico) removem as células mortas e estimulam a produção de colágeno, sendo utilizados nas rugas, que desaparecem após quatro meses de uso. Já os firmadores, que estão enlouquecendo as mulheres, são compostos de uma substância, a DMAE, encontrada em peixes, como o salmão e anchova, com a função de repuxar a pele, sobretudo na região das pálpebras, contorno do rosto e pescoço. Tal esticada dura oito horas, sendo apelidada de ""efeito Cinderela"". Tal produto, ao lado de um creme feito com caviar beluga, empresta às mulheres uma aparência jovial quase instantânea. Por isso, oito em cada dez consumidoras elogiam o dinheiro gasto com produtos de beleza.

Como dizia Helena Rubinstein: ""Toda mulher pode ser bonita, bastam quinze minutos por dia e cinco dólares ao ano em creme facial"". Atualmente existem cremes que custam de R$ 20 a US$ 3 mil. É o preço da vaidade ou da auto-estima.

Artigo extraído do livro Doenças - Conhecer para prevenir (Ottoni Editora), de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes, falecido aos 77 anos, no dia 6 de junho de 2013.

Cultura Legislativa




Flavio Amary

Os brasileiros não fazem ideia da quantidade de leis que estão sendo discutidas nas três esferas do Legislativo e que afetariam diretamente nossas vidas. A cada dia diversos novos projetos são protocolados em cada casa legislativa, comissões para discutir são formadas e diversas audiências públicas convocadas.

Leis, decretos, instruções normativas, decisões de diretoria, enfim, são tantas nomenclaturas, mas com efeitos múltiplos. Não acredito que possa existir um brasileiro que tenha conhecimento pleno de todas as regras para se viver em nosso País.

Sou leitor de três jornais diários, uma revista semanal, diversos sites de notícias, telespectador de canais de notícias televisivas, além do diário oficial de nosso município. Acompanho, por ocupar a presidência de uma entidade com mais de 90 mil empresas representadas, centenas de projetos de lei que podem interferir na atividade da indústria imobiliária direta ou indiretamente.

Não seria possível, neste espaço, nem mesmo listar todos os projetos que monitoramos ou buscamos interferir, república e democraticamente, através de argumentos, estudos e comparações com outras cidades, estados ou países.

Durante o processo de construção legislativa, algumas discussões são feitas através de audiências públicas, para que haja participação dos envolvidos, e em alguns casos o legislador possa, através de algumas convocações, ter mais conhecimento para a tomada de decisão.

O que mais espanta, é a ausência completa da participação da população durante o processo, nem mesmo nas assembléias de condomínios existe a disposição de participar. A não participação é um direito de todos, um de nossos problemas está naquele que não contribui e após muita discussão e aprovação seja de uma legislação federal, municipal ou até mesmo dentro de um pequeno condomínio, venha questionar, até mesmo judicialmente, o processo.

O momento de hoje deve ser disruptivo, precisamos mudar o curso natural em que estamos vivendo, não precisamos ser o país da tomada de três pinos, não precisamos ter mais de 100 milhões de disputas judiciais, concentrar quase 100% das disputas trabalhistas do mundo, ter mais escolas de direito do que todo o resto do mundo.

Simplificação deveria ser a palavra de ordem. Não precisamos esperar passar a turbulência política e nem mesmo a econômica, não precisamos melhorar tudo para melhorar o todo, podemos começar pequeno e em nossa casa. Por que não começar unificando as nossas leis municipais? Consolidando legislações, revogando aquelas obsoletas, não deveríamos medir a produtividade de um parlamentar pelo número de projetos apresentados e sim pelas consolidações e simplificações feitas.

Os direitos precisam e devem ser mantidos, as proteções constitucionais de todos os níveis devem ser preservadas, mas precisamos de leis mais claras, objetivas, sem duplo entendimento e principalmente que tragam segurança jurídica para todos, inclusive para os funcionários públicos que aplicarão as leis.

O efeito nefasto que trazem para o país as portarias, resoluções, decisões de diretoria, instruções normativas são imensos. Uma mudança feita por um destes instrumentos, em um gabinete de Brasília, pode paralisar toda a atividade de um setor, exemplo da Instrução Normativa no 01 de 2015 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que obriga, hoje, praticamente todos os empreendimentos imobiliários e alguns agropecuários a produzir um estudo arqueológico para aprovar o projeto, independentemente de onde esteja. Não existem arqueólogos suficientes para produzir os estudos e muito menos funcionários públicos capacitados para aprovar. Com isso, a decisão vai na contramão do mundo ao criar barreiras e processos totalmente desnecessários e burocratizantes.

O momento é de mudança cultural e de um comportamento disruptivo para que o país volte a crescer.


Flavio Amary é presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e reitor da Universidade Secovi - famary@uol.com.br