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Novo programa de pós-graduação stricto sensu da Unesp em Sorocaba




Alexandre da Silva Simõescom Átila Madureira Bueno

É com grande satisfação que o Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp Sorocaba (ICTS) recebeu na semana passada a autorização da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para abertura de seu novo programa de pós-graduação stricto sensu em Engenharia Elétrica.

A designação stricto sensu vem do latim ""em sentido específico"". As pós-graduações stricto sensu são aquelas que formam mestres e doutores (o equivalente no Brasil ao PhD de algumas instituições estrangeiras), e que atendem às mais altas exigências de autorização, reconhecimento e renovação previstas pelo Ministério da Educação e pela Capes. Dentre essas exigências estão a indiscutível qualificação do corpo docente, os elevados níveis de excelência na produção científica, a qualificação da infraestrutura da instituição para pesquisa, o tempo de dedicação dos docentes à pesquisa, dentre outros requisitos. Esses programas diferem substancialmente dos programas de pós-graduação lato sensu, ou de ""sentido amplo"", que visam oferecer uma formação mais geral e usualmente mais rápida aos interessados, e que, portanto, estão sujeitos a critérios menos rigorosos.

Infelizmente, ainda são poucos os programas de pós-graduação stricto sensu no município de Sorocaba. Apoiar a abertura desses cursos, no entanto, é uma ação estratégica de grande importância para a nova Região Metropolitana. E qual a importância das pós-graduações? Sorocaba, como locomotiva na região e um dos principais pólos do país, precisa formar profissionais de alta especialização nas várias áreas do conhecimento em número necessário para atender a toda a sua região. Esses profissionais estimulam a geração de novos conhecimentos, produtos, processos e inovações, promovendo, de uma forma ou de outra, o crescimento e a geração de novas riquezas, produtos e empregos. Sem esses profissionais de alta especialização, é muito mais difícil que setores da sociedade consigam se destacar, especialmente no mundo globalizado.

Como o principal perfil da região é da indústria metal-mecânica, a eletroeletrônica e a automação têm um forte potencial para agregar valor aos produtos e processos da região. Em particular, o novo mestrado em Engenharia Elétrica nasce em total sinergia com diversas demandas das indústrias da região, que necessitam de profissionais com conhecimentos aprofundados em: mecatrônica, controle, eletrônica, energia, comunicação, dispositivos, inteligência artificial, etc. Esta é uma proposta que vem somar esforços com outras iniciativas como o Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS) e com o parque de universidades da cidade.

O programa aprovado conta com duas áreas de concentração: Automação e Sistemas Eletrônicos, e com quatro linhas de pesquisa: Sistemas Mecatrônicos, Sistemas de Energia, Dispositivos e Circuitos, e Sinais e Comunicações. O programa será oferecido na modalidade Interunidades numa parceria entre docentes do curso de Engenharia de Controle e Automação, da Unesp Sorocaba, e docentes dos cursos de Engenharia de Telecomunicações e Engenharia Aeronáutica, do Campus da Unesp de São João da Boa Vista. As disciplinas poderão ser acompanhadas (ao menos) nas duas cidades pelo sistema de videoconferência da Unesp, e parte das disciplinas será oferecida em língua inglesa, viabilizando colaborações internacionais.

A abertura do processo seletivo para ingresso no programa de mestrado em Engenharia Elétrica está prevista para o final do primeiro semestre de 2017, e o início do curso para o segundo semestre. O programa é gratuito. Maiores informações podem ser obtidas na seção de pós-graduação da Unesp Sorocaba, telefone (15) 3238-3441, ou pelo endereço eletrônico www.sorocaba.unesp.br.

Alexandre da Silva Simões é professor livre-docente e vice-diretor do Instituto de Ciência e Tecnologia de Sorocaba e membro do programa. Átila Madureira Bueno é professor doutor junto ao curso de Engenharia de Controle e Automação e proponente do novo programa de pós-graduação junto à Capes

Os abutres da Previdência




Paulo César Régis de Souza

Foi só o governo encaminhar um documento, tipo "colcha de retalhos", tipo "Frankenstein", cheio de cacos e pegadinhas, e chamar de "Reforma da Previdência" que os abutres de plantão intensificaram as propagandas enganosas sobre as vantagens de uma previdência complementar privada. Reforma exigida por um mercado ávido em lucros e dividendos. E que se dane o povo brasileiro...

Na realidade, diante das insistentes afirmações do presidente Temer e dos seus sinistros ministros de que a Previdência pública iria acabar, diante de uma realidade temerária de uma aposentadoria ridícula, diante do fato de que 70% das aposentarias do INSS não passam de um salário mínimo, diante do sequestro do dinheiro da Previdência pela DRU, diante da liquidação do Ministério da Previdência, diante da omissão da Receita Federal que não fiscaliza, não arrecada, favorece os caloteiros com sonegações, renúncias, desonerações e Refis, inviabilizou-se, por algum tempo, a Previdência pública no país.

A corrida ao ouro dos planos de previdência mostra que 13 milhões de brasileiros, por falta de horizontes e perspectivas, já fugiram do INSS para os planos que acumulam ativos de quase R$ 700 bilhões, aproximando-se dos ativos do fundo de pensões. Os recursos de ambos, quase 1 trilhão e 400 bilhões, são utilizados pela política fiscal com uma avidez extraconjugal!

A proposta de reforma apresentada tem o jeitão de um "Frankenstein" brasileiro, elaborada por um técnico do IPEA, que não ouviu nenhum técnico do INSS, que é quem verdadeiramente entende de Previdência. Aliás, por se encontrar na torre da Fazenda, esnoba o INSS...

Na "defesa da reforma", que tem cara e coração de Frankenstein, os gráficos, tabelas, números e projeções, apresentados nos diversos meios de comunicação são elaborados por técnicos, terceirizados, gente com PHD e MBA em generalidades, ligados aos bancos e seguradoras que há anos sonham em ampliar sua presença no mercado de Previdência, graças aos desmantelos dos fundos de pensão estatais e ao desmanche progressivo do INSS.

Tentaram nas diversas reformas, constitucionais e infraconstitucionais só reduzindo direitos sociais, mais de 100 nos governos FHC, Lula e Dilma - e obtiveram algumas vitórias, como o empréstimo consignado que endividou milhares de aposentados e pensionistas. Antes do tal consignado, nenhum aposentado ou pensionista devia um centavo aos bancos e tamboretes. Hoje devem quase R$ 100 bilhões...

Não somos contra reformar, somos contrários a exploração do pobre do aposentado que já foi roubado com a implantação do famigerado "fator previdenciário".

Não somos contra a reforma, queremos uma discussão maior com a população de mais de 203 milhões de brasileiros, 5 milhões de empresários,106 milhões de brasileiros que estão na População Economicamente Ativa, os 12 milhões de desempregados, os 60 milhões de segurados contribuintes e os 33 milhões de segurados beneficiários, aposentados e pensionistas.

Não queremos uma reforma de um só, elaborada pelo IPEA que entende de números, gráficos, tabelas etc, mas se esqueceu do eixo ou vetor principal da reforma: o financiamento, como se esqueceu de arrumar a Previdência dos militares da União, dos Estados e dos municípios, de arrumar a previdência do rural, do judiciário e do legislativo.

Somos contra a reforma, feita por senadores e deputados, sem moral, comprometidos pela corrupção e que votam, nas madrugadas, em troca de verbas parlamentares e partidárias.

Só para lembrar, certamente todo parlamentar tem um aposentado ou pensionista na família, pai, mãe, irmãos, esposa, cunhados, primos, etc. Recomendo ouvi-los. Não embarque neste novo avião boliviano, sem combustível...

Paulo César Régis de Souza é vice-presidente executivo da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e Seguridade Social (Anasps).