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Educação e discernimento




É cada vez maior o número de anos que a pessoa passa em diferentes tipos de escola. Nos centros desenvolvidos, é matriculada muito cedo numa unidade de educação infantil, passa pelos ensinos fundamental, médio e superior e por diferentes programas de pós-graduação.
 
Importa, pois, analisar se a educação está ou não atingindo seus objetivos e, antes disso, definir quais devem ser eles. Vejamos o que disse a respeito o grande líder da luta pelos direitos civis, Martin Luther King.
 
"Salvar o homem do pântano da propaganda (...) é um dos principais objetivos da educação. A educação deve permitir que a pessoa examine e pese as evidências, tenha discernimento para diferenciar o verdadeiro e o falso, o real e o irreal, os fatos e a ficção.
 
"A função da educação (...) é ensinar a pensar intensamente e a pensar criticamente. Mas a educação que se contenta com a eficiência pode se provar a maior ameaça à sociedade. O criminoso mais perigoso pode ser o homem dotado de razão, mas não de moral.
 
"(...) a inteligência não é o bastante. Inteligência mais caráter -- esta é a meta da verdadeira educação. A educação completa dá à pessoa não somente poder de concentração, mas objetivos dignos em que se concentrar."
 
Essas palavras só fazem ressaltar a tarefa dos professores, a quem cabe, com firmeza, constância, brandura e autoridade, orientar o processo de crescimento intelectual e ético dos seus alunos, de maneira a que venham se tornar pessoas criativas, eficientes e felizes desde os bancos escolares à vida social. É o que o Pai Celestial deles espera.
 
 
"Deus, em sua graça, nos concedeu diferentes dons. (...). Se tiver o dom de servir, sirva com dedicação. Se for mestre, ensine bem."
 
 
Carta de Paulo aos Romanos, 12:6-7
 
Nova Versão Transformadora
 
Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com
 

Das Rosas




A rose is a rose is a rose is a rose
Gertrude Stein

Edgard Steffen

No desfile cívico em comemoração aos 363 anos de Sorocaba, o prefeito entregou uma rosa à vice-prefeita. A inesperada cena bombou tanto na televisão quanto nos jornais. A interpretação do simbolismo e alcance do gesto deixo ao cargo do leitor. Prefiro escrever sobre rosas.

São minha flor predileta. Suas cores variadas e seu perfume discreto me encantam. Neste 16 de agosto comemorei o 67º ano de minha chegada nesta terra rasgada. Se pudesse, numa comemoração pessoal, distribuí-las-ia a cada um de meus leitores e leitoras. Em gesto vicário, garimpo a Internet.

Distribuí-las no encerramento dos shows é marca registrada de Roberto Carlos, cantor que sobreviveu à Jovem Guarda e continua atraindo multidões às suas apresentações.

Nos anos 30 e 40 o cantor das multidões era Orlando Silva. Roberto e Orlando, além de atraírem multidões, tinham outros pontos comuns. Claudicavam, por exemplo. O Rei teve uma das pernas amputadas num acidente de trem, enquanto o velho cantor sofreu amputação parcial de um pé em acidente de bonde. Orlando não distribuía flores, mas o carro-chefe de seus discos e shows era "Rosa" poema de Otávio de Souza musicado por Alfredo da Rocha Vianna Filho. O autor da melodia é bastante conhecido e produziu obras-primas do cancioneiro nacional. Do autor da letra poucos ouviram falar. Otávio Souza não era poeta. Era mecânico de muita inspiração mas poucas letras. Seu único poema deu palavras à mais famosa valsa de Pixinguinha. Modernos podem não tolerar o parnasianismo rebuscado e algumas palavras caídas em desuso (...estátua magistral. Oh. Alma perenal... sobre a rósea cruz do arfante peito teu...). Puristas podem não perdoar o erro de concordância "sândalos dolente". Mas Pixinguinha apostou na preciosidade do solitário poema.

Caymmi -- cantador do mar por excelência -- cantou as rosas com a leveza de sua verve. Dizia "Nada como ser rosa na vida... Rosas formosas são rosas de mim, rosas a me confundir/ rosas a te confundir..."

O genial baiano também cantou a Morena. Na pergunta Onde vais morena

Rosa... pede que ela deixe de lado esta coisa de dengosa e venha pro samba, que o pessoal tá cansado de esperar.

Rita Lee esculhambou. Feminista, não cantou a flor mas a cor. Alertou para que se não provoque "a cor de rosa choque" porque o sexo frágil não fugiria à luta. As duas faces de Eva/ A bela e a fera exibem um sorriso de quem nada quer, mas têm um sexto sentido...

Vinicius -- o grande poetinha -- preferiu cantar a trágica rosa de Hiroxima. Há 72 anos, neste agosto cheio de superstições, os americanos apostaram no fim da guerra pelo poder destrutivo de nova arma. Parêntese: hoje, o confuso Trump e o ridículo ditador Kim Jon Un trazem de volta o espectro do terror nuclear sobre a Terra. Vinicius de Moraes pediu para que pensássemos nas feridas como rosas cálidas e na rosa hereditária, radioativa, cirrótica, sem cor sem perfume, sem rosa sem nada que a radiatividade da bomba atômica trouxe para a Terra. Esqueceram que o Arquiteto a projetou para ser edênica, cheia de flores para a beleza e frutos para a alimentação.

Também a Bíblia fala da flor. Especificamente da rosa de Sarom citada no Cântico dos Cânticos de Salomão. Na fala da esposa -- que acha o esposo formoso e amável e o leito do casal de viçosas folhas -- a metáfora "Eu sou o lírio dos vales, a rosa de Sarom". Sarom (ou Sharon) refere-se a uma região desértica onde os habitantes aprenderam cultivar uma flor de rara beleza e inebriante aroma. Os botânicos a conhecem pelo nome Hibiscus syriacus.

Na tragédia de Verona, Shakespeare põe na voz de Julieta: "Aquela a que chamamos rosa, o mesmo doce odor teria se outro nome tivesse" (Ato II, cena 2).

Texto comparável aos versos de Cartola. As caladas rosas simplesmente exalam o perfume roubado da pessoa amada.
Para encerrar, a feminista e modernista americana Gertrude Stein pontifica. Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa. Ponto final.

Edgard Steffen é médico pediatra e escreve aos sábados nesta página. edgard.steffen@gmail.com - Facebook Dr. Steffen