Papo Psique - pra viver bem


Use os "pés" para superar seus traumas




José Milton Castan Junior www.psicastan.com.br

No post anterior escrevi:
 
Para superar seus traumas psicológicos use os “pés”!!!
 
Seriam caminhadas pela praia? Corridas? Fazer o caminho de Santiago de Compostela?
 
Não! Nada disso! Apesar que uma boa caminhada ou atividades físicas são ótimas maneiras para auxiliar na lida dos estresses. Existem inúmeros estudos científicos que comprovam, por exemplo, que para depressões leves, apenas atividade física é suficiente para superar a doença! Adoto atividade física como conduta psicoterápica a todos meus pacientes (que não tenham restrição à atividade física), e os incentivo fazer caminhadas, corridas, academias com aeróbica, zumba, natação, dança, box, muay thai, etc.
 
Antes de falar de como usar os “pés” – um modelo, uma técnica – para auxiliar na superação de traumas psicológicos, é preciso mencionar que:
 
“Nas lembranças de qualquer pessoa, há coisas que ela não revela a todos, apenas aos amigos. Há outras que não revela nem aos amigos, apenas a si mesma, ainda em segredo. Mas há finalmente, aquelas que tem medo de revelar até a si mesma..., coisa que toda pessoa normal acumula bastante”.
 
Isto é muito importante, pois uma parcela de suas lembranças/memórias (e especialmente as que foram doloridas e sofridas) podem estar no seu inconsciente e de difícil acesso,  dificultando usar a técnica dos “pés”. Mas ainda assim há o que fazer.
 
Dito isto sigamos:
 
Em minha longa trajetória como psicanalista e psicoterapeuta, acumulei centenas de experiências vivenciando as histórias doloridas, sofridas, traumáticas, por vezes aterrorizantes dos meus pacientes, e de alguma forma, aplicando sistematicamente um modelo de terapia acabei, não  descobrindo nada de novo, mas sintetizando uma maneira de contribuir para a evolução e transformação de meus pacientes, e a isto denominei “use os pés para superar seus traumas” e “pés” nada mais é que do que a junção das primeiras letras de : Processar, Elaborar, Superar  
 
Quero explicar muito bem cada uma destas três etapas, e para tanto irei dividir em três posts falando detalhadamente sobre cada um.
 
Nesta próxima segunda-feira (22/01) teremos: Processar - para superar traumas.
 
Em tempo: tenho recebido via Facebook (facebook.com/psicastan/) vários comentários sobre os traumas infantis e um me chamou a atenção, pois falava que “trauma é para o resto da vida”. Reitero que há como superar! Ninguém precisa (e nem pode) viver condenado a sofrer por toda uma vida! 
 
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Como superar traumas psicológicos




José Milton Castan Junior ¿ www.psicastan.com.br

Situações difíceis que passamos na vida ¿ os eventos estressores, podem se transformar, e de acordo com sua magnitude, num evento traumático que finalmente pode-se transformar em trauma psíquico. Esse trauma psíquico ficará guardado na memória como uma memória traumática, ou seja, além da memória do evento em si, fica atrelado à memória do evento uma memória emocional - um valor emocional (um significado emocional), e neste caso o valor emocional é negativo, pois causou dor, sofrimento e/ou prejuízos importantes.
 
E como isso poderá influenciar também negativamente em sua vida atual?
 
Ano passado recebi um convite para assistir a palestra do Prof. Clóvis de Barros Filho num hotel aqui em Sorocaba. Fui. Estava lotado! Umas mil pessoas. Tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente antes da sua palestra, e trocamos algumas ideias.  Pouco depois desse encontro, já sentado na plateia esperando o início, escutei falarem o valor que custava uma palestra do professor Clóvis. Nem acreditei. É muuiiito! Neste instante não pude deixar de lembrar (o cérebro e a mente são muito bons em fazer associações) de uma minha paciente que vinha sofrendo enormidade, pois ela teria que fazer apresentação de seu trabalho de conclusão de curso (TCC), e só de pensar nisso ela ficava aterrorizada. Falar em público para uns significa ganhar dinheiro e fazer o que adora, e para outros, como minha paciente significa um tremendo problema. 
 
Na terapia minha paciente teve oportunidade, a partir dela mesma e com técnicas psicanalíticas aplicadas, de encontrar no passado e quando era criança, memórias esquecidas e até mesmo reprimidas (guardadas a sete chaves em seu inconsciente), de uma situação a qual foi exposta ao público e este evento de sua infância foi traumático. Recentemente ela fez a apresentação. Claro foi bem desafiador, mas ela não desistiu como queria fazer antes da terapia.
 
A psicoterapia psicanalítica é importante para superar traumas psíquicos, pois sua técnica ajuda a trazer para o consciente aquilo que se encontra no inconsciente (clique aqui e leia post anterior sobre isso). Trazer para o consciente é parte da terapia, mas quase sempre precisamos ir além na terapia (isso fica para outra postagem).
 
No entanto sabemos que nem sempre é possível fazer terapia. Quero compartilhar, então, um modelo, uma técnica que venho há anos trabalhando e que poderá contribuir de alguma forma:
 
Para superar seus traumas psicológicos use os "pés"!!!
 
Veja como nesta próxima quinta-feira.
 
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O Trauma Psicológico e suas consequências




José Milton Castan Juniorwww.psicastan.com.br

 
Era o primeiro dia no meu novo consultório. Na hora do almoço sai caminhando em direção ao restaurante indicado por um colega. A rua era bem inclinada de maneira que o piso dos jardins das casas, muitas vezes estavam na altura da minha cintura. Eu andava pela calçada desatento quando um enorme (mas enorme mesmo) cachorro botou a cara para fora da grade que nos separava e latiu. Latiu não...uivou, ladrou...e claro minha reação instantânea foi dar assustado pulo de lado, afastando-me da grade. Um milímetro menos e ele teria arrancado um bom bife do meu rosto. Por muitos anos continuei subindo diariamente aquela rua em direção ao restaurante, no entanto jamais ia pela calçada do cachorro (e nem descia). Depois de alguns anos eu nem me lembrava mais do cachorro, até porque, haviam mudado da casa (o cachorro e seu desavisado dono). 
 
 
Bem..., a vida continuou mudei para outro consultório e fazia tempos que não passava por aquela rua, até que semana passada, ocasionalmente subi a tal rua. Foi muito engraçado quando me deparei subindo pela calçada de sempre (do outro lado da casa do cachorro, claro) como fiz durante anos. Psicanalistas têm a “estranha” mania de juntar “lé com cré”, ou seja, procurar entender a relação das coisas, então percebi que nem havia me determinado, ou pensado conscientemente em subir a rua pelo lado mais seguro, no entanto o fato era que eu estava andando pela calçada de sempre.
 
 
Sem dúvida um hábito instalado, no entanto fundamentalmente um mecanismo inconsciente de defesa e pura preservação da vida. Note aqui como um evento estressor pode mudar um comportamento!
 
 
Foi um estresse e tanto, mas não fiquei traumatizado pelo cachorro, mas poderia se a coisa tivesse sido mais grave. Então teríamos a sempre presente e verdadeira sequência:
 
 
Um evento estressor pode se transformar em evento traumático e um evento traumático pode se transformar em trauma psicológico. 
 
 
Ocorre que na infância um evento estressor pode mais facilmente se tornar em trauma psíquico, posto que a infância é uma fase delicada, de grande vulnerabilidade, onde a criança ainda não desenvolveu habilidades cognitivas para lidar, categorizar e classificar situações estressoras.
 
 
Portanto um trauma psicológico na infância pode trazer graves consequências na vida adulta, tais como medo, irritabilidade, sensações de vulnerabilidade, ansiedades em geral, entre tantas outras.
 
 
Mas como superar um trauma?
 
 
Nos vemos na próxima segunda-feira às 10:00h
 
 
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