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Atividade física na gestação: toda mulher pode fazer?




Já falei aqui neste blog sobre o sonho que eu tinha de ter meus filhos via parto normal. Por isso, me preparei fisicamente durante toda a gravidez para que o meu corpo estivesse fortalecido para este momento tão especial. Eu já frequentava a academia antes da gravidez, mas tive que adequar os exercícios, principalmente nos primeiros meses, por conta de um sangramento. Nada grave! Ainda bem...
 
Porém, eu via que muitas das minhas amigas que também malhavam acabavam interrompendo seus treinos por conta até mesmo de recomendação médica. Outras se sentiam tão sonolentas e indispostas, que não tinham coragem ou vontade de enfrentar uma horinha na academia.
 
O fato é que os especialistas garantem que a atividade física é muito benéfica neste período e pode ser praticada até as vésperas do parto. Os benefícios se estendem, inclusive, para o bebê.  Veja as principais dúvidas que a maioria das pessoas costuma levar até os consultórios médicos durante a gestação:
 
1. Todas as mulheres podem praticar exercícios físicos na gravidez?
 
Quase todas. Existem algumas contraindicações, doenças e patologias da própria gestação ou daquela mulher, como problemas no coração e no pulmão, entretanto a maioria pode. Para isso, além do obstetra, é importante uma boa avaliação do médico que a acompanha, como o ortopedista ou cardiologista.
 
2. Quais são as modalidades mais indicadas na gestação?
 
Depende muito do que a mulher fazia antes. Muitos exercícios podem e devem ser continuados. De uma forma geral, os mais seguros são natação, hidroginástica, outras modalidades na água e caminhadas. Para fortalecimento, a musculação é muito segura e versátil, assim como o pilates, que é recomendado inclusive para quem nunca fez.
 
3. Até quanto tempo de gestação é indicado praticar esportes?
 
Até o dia do parto, geralmente, se não houver nenhuma intercorrência na gestação. Existem casos em que a gestante tem algum problema e precisa parar, mas, em geral, pode fazer desde o início até o último dia. A intensidade depende do exercício e do condicionamento que a mulher tinha antes de engravidar. Para atletas que estão acostumadas com muito exercício, o “moderado” é uma quantidade diferente das outras pessoas.

A grávida precisa ser avaliada levando em conta todo o histórico de exercício físico e de condicionamento. Se o exercício for bem prescrito no começo, é possível manter até o final. Às vezes, existe uma questão de conforto para a mãe, mas não de risco para o bebê. Os exercícios na água são muito confortáveis no fim da gravidez, por exemplo.
 
4. Quais cuidados gerais as grávidas devem tomar durante a prática esportiva?

Hidratação é o ponto mais importante: precisa beber água o tempo todo. Outra recomendação é não fazer exercício em jejum. O ambiente também não pode ter a temperatura muito alta e deve ser bastante ventilado, se for um lugar fechado. No caso de um local aberto, a indicação é usar roupa leve e evitar os horários mais quentes.
 
5. Quais são os principais benefícios dos esportes na gravidez?
 
O benefício geral é controlar o peso e evitar doença cardiovascular, como pressão alta, infarto e derrame. Evita o diabetes gestacional e a pré-eclâmpsia, ou seja, pressão alta na gestação. As mulheres que fazem exercício melhoram a oxigenação para o feto, a qualidade do sono delas e até as dores nas costas, porque todos os músculos estão fortalecidos. Além disso, ajuda na recuperação do pós-parto, que será menos dolorido. A gestação tem de ser o período mais saudável, e isso inclui exercícios físicos, para ser saudável por completo.
 
Fonte: Dra. Sílvia Gomyde Casseb, ginecologista, obstetra e médica do esporte do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim.
 
Lucy De Miguel é jornalista especializada em Primeira Infância e autora do Blog Na Mochila.
lu@namochila.com





Dor de ouvido é comum em crianças no verão, mas merece cuidados




Mais um tema próprio das férias são as infamações ou infecções infantis que nós pais enfrentamos como consequência do calor, da piscina, do sol. E não poderia ser diferente. Afinal, não dá pra privar as crianças de se divertirem nessa época deliciosa do ano.
 
Só que alguns problemas especificamente merecem muita atenção, como a otite. A inflamação do ouvido muitas vezes é proveniente de resquícios de água do mar ou da piscina, que acabam deixando o ambiente úmido e propício para o crescimento de bactérias e fungos.
 
É claro que um dos sintomas que mais incomodam os pequenos é a dor. A criança chora e a região pode até mesmo ficar avermelhada. Para tirar a dúvida, basta encostar ou apertar a orelha, que a criança dará um sinal caso seja mesmo otite.
 
Nos bebês, o diagnóstico pode ser mais difícil, porque eles não conseguem se expressar. Mas os pais podem perceber alguns comportamentos. “Quando for mamar ou comer, em um quadro de otite, na hora de engolir pode doer e a criança exprimir isto chorando, principalmente nos casos de otite média ", explica o médico Jairo Barros do Instituto Brasiliense de Otorrinolaringologia (IBORL).
 
O que fazer?

Casos de otite devem ser sempre avaliados por um especialista. Mas, antes de ir ao médico, dá para amenizar a dor fazendo uma compressa morna e colocando no ouvido externamente.
 
Quando percebido o incômodo na orelha, nem pense em colocar cotonetes para limpar dentro do ouvido no intuito de melhorar. Isto pode causar perfuração do tímpano. “Cotonetes, grampos, pontas de caneta... nada disso deve ser introduzido no ouvido. Além de ferir, pode ser porta de entrada para diversas infecções", alerta o especialista.
 
Como não há prevenção para a inflamação, a orientação médica é cuidar do ouvido após o contato com a água. "Às vezes, no consultório, quando examinamos a orelha da criança é comum encontrarmos grãos de areia dentro. Esses corpos estranhos podem machucar o ouvido e trazer infecções", explica o otorrinolaringologista. Por isso, depois da brincadeira na água, durante o banho, é importante lavar a parte externa da orelha com água corrente para tirar o excesso de areia ou até mesmo de cloro, geralmente encontrado em piscinas.
 
Identificados os sintomas, os pais devem procurar imediatamente um pronto-socorro pois, se não tratada, a otite pode comprometer até mesmo a audição. Uma vez com otite, as crianças não podem ter nenhum contato do ouvido com a água até serem examinadas adequadamente por um médico para que o tratamento seja iniciado corretamente.
 
Lucy De Miguel é jornalista especializada em primeira infância e autora do blog Na Mochila.
lu@namochila.com





Por que é importante manter a rotina do sono mesmo durante as férias?




Tenho dois filhos adolescentes, um menino de 12 e uma menina de 15 anos, e esse período de férias significa, para eles, dormir e acordar tarde – bem tarde! Passam a madrugada assistindo filmes, vídeos do Youtube, conversando com as primas que moram em outra cidade, comendo e fazendo barulho. Alguns vão dizer: “Isso é normal para essa idade. Qual adolescente não gosta de dormir e acordar tarde nas férias?”
 
Acontece que a nossa rotina, de pais, não muda. Seguimos acordando cedo para ir trabalhar e fazendo nossas refeições nos horários habituais. E aí descontrola tudo dentro de casa: eles acordam quando estamos com o almoço na mesa, comem fora de hora, tomam banho de madrugada e – pelo menos aqui em casa – ficam muito sedentários e acabam se alimentando inadequadamente.
 
Reconheço minha falta de firmeza como mãe, para fazê-los acordar mais cedo e garantir que não saiam tanto do ritmo familiar. Mas também me recordo da minha época como adolescente e não via a hora de chegarem as férias para passar a madrugada fazendo bagunça na casa de praia dos meus primos. É fase!
 
Agora, saudável não é não. A médica especialista em sono, Dra. Aliciane Mota, explica que manter uma rotina regular de sono, até mesmo durante as férias,  é importante para o descanso e para garantir um melhor desempenho das crianças e jovens.
 
“Para que a rotina não fique totalmente diferente do habitual em período de aulas é preciso que os pais tenham uma posição ativa com relação às atividades dos filhos. Os hábitos de meses podem ser pedidos facilmente em poucos dias ou semanas de um recesso sem regras", ressalta.
 
Para ela, a boa rotina de sono garante um bom funcionamento do organismo que, consequentemente, vai garantir uma capacidade melhor de aprendizado da criança e a manutenção dos níveis de secreção hormonal. A criança que não dorme bem fica agitada e com dificuldades de concentração.
 
No sono, vários hormônios estão envolvidos, como as endorfinas, serotoninas, leptina, e, principalmente, o hormônio do conhecimento, conhecido como GH e que é extremamente importante nesta fase da vida. "Esses hormônios são secretados principalmente quando se tem uma boa qualidade de sono, e se isso é alterado, toda a produção hormonal também sofre mudança", considera Aliciane.
 
O tempo de sono varia de acordo com a idade da criança. Quanto mais velha, menor a quantidade de horas necessárias de repouso. Em geral, as crianças com idade pré-escolar, entre 3 e 5 anos, precisam de 13 horas de sono por dia. Enquanto as de idade entre 6 e 12 anos devem dormir ao menos 10 horas.
 
O exagero de atividades estimulantes como jogar vídeo game e correr, por exemplo, comuns no período de férias, podem estar entre os fatores que colaboram para uma má noite de sono para crianças. "Algumas brincadeiras estimulam demais a função cerebral e, além de atrasarem o horário de dormir, acabam causando interrupções no sono durante a noite", acrescenta a médica. 
 
O recomendado é procurar não permitir que a criança saia tanto da rotina durante este período do ano. E eu confesso: isso pode ser um pouco mais fácil com os pequenos, mas com os adolescentes...  acho que já podemos deixa-los aproveitar a vida com mais leveza, não é mesmo?
 
Fonte: Dra. Aliciane Mota, médica especialista em sono do Instituto Brasiliense de Otorrinolaringologia (IBORL).


Por Lucy De Miguel, jornalista especializada em Primeira Infância e autora do Blog Na Mochila.
lu@namochila.com