Giro Regional


Carnaval dobra população de Sarapuí e justifica fama de "Sarapucaí"




 
Os antigos casarões de Sarapuí e suas abundantes janelas teriam visto mais de um século de carnavais se os tropeiros curtissem a folia.  Jamais, porém, veriam carnavais como os que têm ocorrido nesta segunda década do Século 21. 
 
Com apenas 9 mil habitantes, segundo o Censo de 2010, a cidade chegou a receber até 8 mil foliões em cada noite de festa neste período.  Desde então, a população cresceu 1 mil habitantes, segundo estimativas do IBGE para 2017, mas a Prefeitura não prevê aumento de público nos festejos de 2018.
 
A coordenadora de Cultura do Município, Carolina Frederico, informa que a organização trabalha com uma estimativa variando de 5 mil a 8 mil pessoas por noite.  “O Carnaval de Rua de Sarapuí, tornou-se ao longo dos últimos anos, um dos principais eventos populares da região Oeste do interior paulista. O público, além de moradores da nossa cidade, origina-se dos Municípios vizinhos e visitantes da grande São Paulo que possuem sítios e chácaras em Sarapuí”, descreve Carolina em mensagem por whatsapp.
 
Os proprietários de chácaras e sítios integram a chamada população flutuante de Sarapuí. Os loteamentos de antigas fazendas são presentes nas margens de todas as estradas municipais que ligam a cidade aos municípios vizinhos de Pilar do Sul, Salto de Pirapora e Araçoiaba da Serra  na sua mais importante estrada, que a liga com a rodovia Raposo Tavares e Itapetininga, Capela do Alto e Alambari.
 
O Distrito de Cocaes (com “e”, de acordo com a grafia secular do cartório de registro civil) já constitui uma pequena cidade encravada na bifurcação das estradas Sarapuí- Pilar e Sarapuí - Salto de Pirapora.  Os loteamentos disputam espaço com grandes plantações de eucaliptos, criações de gado bovino e bubalino e de frutas, com destaque para a uva e o caqui. 
 
A fama do carnaval de Sarapuí pode ser medida através de uma rápida pesquisa na web. É só digitar “carnaval sarapuí” e vão pulular mensagens postadas nas redes sociais e propagandas sobre o que chamam de o “melhor carnaval da região”.
 
Os principais blocos carnavalescos da cidade estão anunciando a venda de seus abadás e as imobiliárias online oferecem chácaras para alugar por até R$ 800,00 durante a temporada. A cidade não dispõe de hotéis e tampouco agências bancárias. 
 
Depois de sucessivos assaltos o Banco do Brasil fechou sua agência na cidade e os sarapuienses dispõem apenas de uma casa lotérica e um caixa do Banco 24 horas instalado em prédio colado à Delegacia de Polícia.
 
Um dos blocos mais tradicionais da cidade, o Kabrito Folia é organizado pelo professor de jiu-jitsu Bruno Garcia, mais conhecido como...Kabrito. Na última sexta-feira ele estava em São Paulo buscando os abadás que comercializados por R$ 25,00 e as encomendas são grandes. Pelo whatsapp ele deu a seguinte entrevista:
 
-Por que o chamam de Kabrito?
 
-Porque eu sou o caçula de três irmãos e vivia andando atrás deles. Então, quando me viam chegar,  os amigos deles diziam: lá vem o cabritinho.
 
-Qual é o principal bloco da cidade?
 
-É o Kabrito Folia. Este anos já estamos com encomenda de 700 abadás.
 
-Por que Sarapuí autoproclama-se como o melhor carnaval da região?
 
-Porque a nossa cidade recebe turistas de muitas cidades nessa época e nosso povo é acolhedor e muito animado,  Essa mistura nos leva a alcançar um grande carnaval ano após ano. Sarapui é o lugar ideal para descansar e curtir os blocos de rua,  shows,  trio elétrico e tudo que um belo carnaval pode oferecer.
 
-Como professor de jiu-jitsu você participou da briga do carnaval de 2016?
 
-Ninguém do Kabrito Folia teve qualquer participação daquela confusão, até porque nós somos da paz e, sabendo que o bloco é de uma academia ninguém provoca.
 
A Polícia Militar teve que disparar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o tumulto de 2016. A violência, porém, foi um fato isolado e não refletiu nas festas de 2017.
 
Mas, apesar de aclamado pelos jovens e pelos comerciantes, o Carnaval de Sarapuí não tem a unanimidade entre os foliões mais antigos da cidade. A artesã Maria Thereza Chiaffitelli Netto, por exemplo, prefere ver de a folia de longe. Mas, não muito, pois a sua casa, com idade provável de 150 anos, tem apenas uma quadra a separá-la da Praça da Bandeira, o palco da festa.
 
Segue abaixo a programação completa do Carnaval 2018 em Sarapuí:
 
10/02 – Sábado
 
- A partir das 22h00 – Som na Praça das Bandeiras
 
-  22h00 – Início do Desfile de Blocos – Saída: Posto Dona Malvina (Av. Alexandre Chauar) / Chegada: Praça das Bandeiras
 
(Presença confirmada dos Blocos tradicionais do Carnaval de Sarapuí: Sem Nossão, Guerra do Dorfo, Kabrito Folia) Obs. Inscrições dos Blocos de 22/01 a 2/02 na Coordenadoria de Cultura.
 
 
 
11/02 - Domingo
 
- 15h00 às 18h00 – Matinê Infantil com apresentação da Banda Marcial Municipal “Benedito Cleto” (tocando marchinhas de Carnaval) – Praça das Bandeiras
 
-  A partir das 22h00 – Som na Praça das Bandeiras
 
 
 
 12/02 - Segunda
 
- 15h00 às 18h00 – Matinê Infantil com apresentação da Banda Marcial Municipal “Benedito Cleto” (tocando marchinhas de Carnaval) e Concurso de Fantasias para as crianças – Praça das Bandeiras
 





Projetos abandonados viram vilas fantasmas em Pilar do Sul e Tapiraí




 
Cerca de 70 casas que restaram de 200 unidades estão desaparecendo sob a plantação de eucaliptos no bairro da Saudade, em Pilar do Sul. Uma quantia também aproximada foi abandonada no bairro do Chá, em Tapiraí. Nas duas cidades as habitações fazem parte de auspiciosos projetos agrícolas implementados e depois descartados entre os anos 1950 e 1980.
 
O bairro da Saudade - oficialmente chamado de Fazenda Vitória - e o bairro do Chá, não têm comunicação direta por estradas, mas estão a poucos quilômetros de distância e separados apenas por densa floresta da Mata Atlântica, no sertão da Serra de Paranapiacaba.
 
Em Pilar do Sul, a fazenda Vitória começou a ser construída em 1954 para o cultivo de “Phormiun tenax” ou “fórmio”, também chamado de linho-da-nova-zelândia. A planta fornecia a fibra usada nas solas dos calçados tipo alpercatas, conhecidos popularmente como enxuga-poças. O empreendimento era da indústria Alpargatas, de capital anglo-argentino, depois nacionalizada e rebatizada como São Paulo Alpargatas, com sede em Sorocaba.
 
O inglês Robert James Forster, então com 28 anos, foi o encarregado pela construção da agrovila para residência dos trabalhadores a partir de 1954. Falecido em Sorocaba aos 60 anos, em 1986, sua história é contada pela viúva, a professora Dirce Penteado Forster, 85 anos.
 
Seu marido veio ao Brasil após formar-se em Ciências Políticas em Cambridge. Casaram-se em 1953 e mudaram-se para Pilar em 1954. A Alpargatas constituiu uma empresa subsidiária denominada Fibrasil para executar o projeto dos enxuga-poças na Saudade.
 
Sob comando de Forster, a Fibrasil construiu, primeiramente, uma cerâmica, cujas chaminés de 30 metros de altura desaparecem em meio à plantação de eucaliptos. 
 
Depois foram erguidas as casas, seguindo o estilo britânico de tijolos à vista; escola, capela, clube social, campo de futebol e uma mini usina hidrelétrica. As residências foram distribuídas por três colônias: Papa João XXIII, Açores e Saudade. No auge da produção, a Fibrasil chegou a empregar mil trabalhadores, incluindo não residentes.
 
“Eu morei na fazenda por dez anos. Chovia 300 dias por ano no sertão. Tive que me mudar pra que minha filha mais velha pudesse continuar seus estudos em Pilar”, comenta a professora que foi fundadora e diretora do Ensino Médio e primeira vereadora de Pilar do Sul.
 
“A fazenda era autossuficiente em praticamente tudo. Só saíamos para comprar os remédios que faltavam, pois a farmácia era pequena. Tínhamos cinema, salão de bailes, enfim, era uma pequena cidade onde todos se ajudavam no verdadeiro sentido de comunidade. A gente vivia num paraíso e não sabia”, lembra Dirce.
 
O paraíso, porém, chegou ao fim junto com a moda. A Alpargatas desistiu dos enxuga-poças e concentrou suas atividades em outra unidade fabril, passando produzir as botas impermeáveis Sete Léguas, até hoje no mercado de acessórios de segurança do trabalho. 
 
As plantações de fibras foram substituídas por pinus e eucaliptos, que dispensam mão-de-obra. Em 1997 a fazenda foi vendida de porteiras fechadas para a Companhia Suzano de Papel e Celulose. A parte onde estavam as colônias Açores e João XXIII, foi revendida em 2011 para a indústria Eucatex que passou o trator sobre 130 casas. Restaram apenas as residências do centro da fazenda.
 
Em 2008, em negociação com a Suzano para preservar as casas restantes, a Prefeitura de Pilar do Sul obteve a concessão de uma área de seis hectares por um período de 10 anos. A área abrange a capela e os prédios do clube e da escola. 
 
No final do ano passado, a Secretaria de Cultura e Turismo de Pilar do Sul (Sectur) promoveu a reforma da capela Nossa Senhora da Vitória e a Paróquia Bom Jesus do Bonfim começou a realizar uma missa mensal para os moradores do entorno. 
 
A última celebração foi no domingo passado, 14. Dirce Forster participou. “Apesar de uma insistente chuva, comum naquelas matas, a missa teve bom público.  Ir lá me dá um misto de tristeza e emoção, um trabalho realizado do qual a gente se orgulha muito”, comentou.
 
O secretário municipal de Cultura e Turismo, Guto Carvalho, informou que a concessão vence em fevereiro deste ano, mas já está em negociação para renová-la por igual período.  
 

Jesuítas exploraram região há 300 anos, segundo lenda
 
O capataz Gerson Correia, zelador das fazendas da Companhia Suzano, mora na última casa em condições de habitação no centro do bairro da Saudade, em sua rua principal, entre o lago e as instalações do clube, da escola e da igreja. 
 
 -Há sempre o risco de invasão e furto de madeira, Gerson conta, mostrando o mapa da fazenda, em forma de passarinho com uma grande cauda voltada para o Leste, onde estão os fundos da propriedade, na direção do Vale do Ribeira.
 
De acordo com Gerson, a Saudade está ligada ao Litoral Sul de São Paulo por um emaranhado de trilhas construídas há mais de 300 anos por jesuítas que vinham de Itanhaém. 
 
Ao todo a propriedade possui 6.043 hectares dos quais cerca de mil estão cultivados com eucaliptos e pinus, 870 hectares são Área de Preservação Permanente (APP) e outros 270 hectares são mata nativa em processo de recuperação por força de um acordo da Suzano com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Restam, portanto, quase cinco mil hectares de floresta nativa, a autêntica Mata Atlântica que se estende até o Vale do Ribeira. 
 
- É uma região muito rica em grutas com inscrições rupestres e rios com cursos d’água desviados por garimpeiros, conta Gerson. Seus mais importantes rios, o Claro e o Clarinho estão secando, segundo denúncias, assoreados por conta do cultivo de eucaliptos e o seu manejo. 
 
A Prefeitura de Pilar do Sul chegou a fazer um levantamento do potencial turístico da trilha jesuítica, segundo Gerson que acompanhou uma equipe de trabalho. Outras trilhas, conhecidas pelos moradores mais antigos, estão desaparecendo.
 

 

Fazenda do Chá é convertida em centro religioso
 
O zelador Marciano Gomes, de 30 anos, está no alto de uma escada lidando com um poste que puxa eletricidade para uma das ruas do Bairro do Chá, a aproximadamente 16 quilômetros do centro de Tapiraí. 
 
O vilarejo, que já movimentou a economia do município com a exportação de chá, possui duas ruas do lado esquerdo, contando umas 20 casas e uma rua transversal do lado direito onde está o grande barracão que abrigava a indústria de beneficiamento da erva. 
 
O bairro está localizado na Estrada do Chá, a 5, 5 km do entroncamento com a estrada Tapiraí-Juquiá, no seu lado direito. Marciano, uma idosa e dois homens em casas esparsas parecem ser as únicas pessoas vivendo no vilarejo, que esteve totalmente abandonado até ser arrendado pelo Templo de Umbanda Caboclo Ubirajara, cuja administração fica em Piedade.
 
A entidade também possui filial em Peruíbe segundo mostra sua página no Facebook. A rede social é administrada a partir de Indaiatuba. Miako, a responsável pelo Templo, não respondeu a um questionário enviado pelo blog. 
 
Ela informou, pelo Whatsapp, que também administra a Igreja do Culto Eclético da Fluente Luz Universal Céu de Midan, doutrina que faz uso da infusão chamada ayahuasca, obtida de duas plantas amazônicas e também conhecida por Santo Daime. A igreja tem sede em um sítio na estrada Sorocaba-Tapiraí.
 
O prefeito de Tapiraí, Alvino Marzeuski, conta que o bairro do Chá e seu entorno já chegou a manter cerca de 200 famílias no auge da produção. “Com a modernização da lavoura, a topografia do terreno não comportou o uso de máquinas. As plantações foram transferidas para terras mais planas e o projeto foi abandonado”, conta ele.
 
Marciano informa que as casas que estão aparentemente abandonadas, na verdade são todas alugadas para membros da religião e que as utilizam nos fins de semana, quando participam das cerimônias. 
 
Ele aponta dois morros com vegetação verde-claro que despontam aos fundos do barracão industrial. “O verde-claro é a plantação de chá que foi abandonada. As plantas estão com seis metros de altura”, conta ele. A erva contrasta com o verde da Mata Atlântica.
 
O projeto de cultivo de chá foi implementado pela Cooperativa Agrícola de Cotia – Cooperativa Central (CAC-CC) em 1959, segundo correspondência trocada entre o jornalista Alessandro Furlan, do jornal Panorama de Tapiraí e Edson Munetiko, do Departamento de Vendas da Midori Indústria de Chá Ltda. 
 
Em 1970 a indústria japonesa Yamamotoyama, fundada em 1690, abriu uma filial em Tapiraí, a Green Tea, para o processamento do chá verde. O site da indústria informa que, em 1960, Kuniichiro Yamamoto, presidente da 9ª geração de Yamamotoyama, viajou pelo mundo em busca de terras apropriadas para a produção de chá.
 
 “Como resultado, encontrou nas terras brasileiras do Estado de São Paulo um local que pudesse produzir um chá japonês de boa qualidade, preenchendo diversos requisitos como solo,  pluviosidade e temperatura. Assim, em 1970, foi fundada em Tapiraí, Estado de São Paulo, a empresa Green Tea, predecessora da Yamamotoyama do Brasil”.
 
Munetiko informa que a CAC distribuiu 35 lotes para os produtores, mas apenas 24 se dedicaram ao cultivo de chá. Eles cultivavam a variedade assâmica para a obtenção do chá preto. “A paralisação do cultivo em Tapiraí ocorreu por conta do alto custo da produção causado pelos acidentes topográfico das terras. O custo era incompatível com a receita obtida”, esclarece.
 
A colônia japonesa de Tapiraí substituiu o cultivo do chá pelo gengibre, tornando o município num dos maiores produtores do Brasil. 
 
 





Uvas Pilar Moscato, picolés e pirataria em Pilar do Sul




 
Compro um picolé de açaí, uma garrafa de água e sento-me em um banco da praça com vistas para as novas fachadas dos prédios que um dia foram cinema e casario do Século 19, no centro de Pilar do Sul. 
 
É hora de almoço. A praça está quase vazia e um camelô peruano coloca música no ar para vender CDs, chaveiros e flautas andinas. 
 
Uma menina com voz de criança anuncia seus picolés enquanto empurra um carrinho amarelo da indústria Fascinatto. Não poderei ajudá-la, pois já estou terminando o meu açaí, que comprei da Panificadora e Gelateria Chandely. 
 
São duas indústrias autenticamente pilarenses.
 
A menina da Fascinatto passa por mim e vê que já tenho água e degusto o sabor da concorrência, embora de fruta colhida na Amazônia, apesar de estar em Pilar do Sul, a terra das frutas. Neste mês de janeiro, precisamente na terça-feira, 9, teve início a colheita da uva Pilar Moscato, a mais cobiçada, o suprassumo, o néctar, a mais doce e saborosa marca desenvolvida por produtores da Associação Paulista dos Produtores de Caqui (APPC), que tem sede em Pilar.  
 
Outras uvas cultivadas no município já estão no mercado desde meados de dezembro: itália, rubi, benitaka e brasil, entre outras, que formam o carro-chefe da diversificada fruticultura pilarense.  Ainda tem outras variedades sofisticadas como a beni-izu e a fuji-midori. 
 
Mas, também é tempo de colheita de ameixas rubimel e de lichias, sendo que estas últimas duram apenas uma semana, vencendo, portanto, na próxima segunda-feira. A safra de pêssegos já terminou, com produtores queixando-se de prejuízos e, logo mais tem início a colheita de caquis e atemoias.
 
A fruticultura é uma das principais atividades econômicas do Município, ao lado do cultivo de cereais e da silvicultura.  Em 2015 a uva ocupava cerca de 700 hectares e a colheita girava em torno de 21 mil toneladas, ou 30 toneladas por hectare, conforme anunciado por este jornal Cruzeiro do Sul. 
 
Mas, nem tudo é doce neste laborioso mercado de uvas. Desde que o sucesso da Pilar Moscato chegou às redes de televisão e a programas como Ana Maria Braga e Ana Rickmann, a marca passou a ser alvo de fraudes, pirataria e até roubos nas parreiras. 
 
“Alguns produtores adquirem clones e os cultivam sem os cuidados necessários. Depois comercializam as frutas como se fossem Pilar Moscato. Por isso estamos mudando nossas embalagens neste ano”, informa Harue Sawada, gerente da APPC. 
 
-Mas, se os clones são de Pilar Moscato, qual é o problema?
 
Harue não se cansa de explicar. Ela já deu entrevistas para os mais variados meios de comunicação, passando por publicações de agronegócios, gastronomia e amenidades. Nesta quarta-feira, 10, ela está muito ocupada com reparos na rede elétrica da packing house.
 
"Pilar Moscato não é uma variedade, mas uma marca, portanto, não pode ser usada fora da Associação", explica.  A marca é desenvolvida a partir da variedade estela. Para que a estela obtenha o sabor da Pilar Moscato são necessários cuidados especiais desde o cultivo dos clones até a colheita, o que diferencia o produto e agrega valor ao seu preço, permitindo uma maior rentabilidade ao produtor.
 
Se produtores alheios às técnicas e ávidos por lucros não obedecem aos fundamentos que levaram anos de estudos, vão disseminar no mercado uma falsa uva, com sabor menos atraente e, consequentemente, estragar a sua imagem.
 
Para se ter uma ideia do trabalho que dá, as parreiras ficam cobertas com uma tela contra chuvas de granizo e bicadas de aves e cada cacho é protegido com sacos de papel especial. Desta forma, as frutas ficam livres de ataques de insetos e doenças, bem como dos defensivos químicos já que não se trata de um produto orgânico. Os saquinhos também auxiliam na uniformidade de coloração da uva e tornam a casca mais fina e brilhante. 
 
Mas, na hora de saborear a fruta, só o que será notado é o seu alto teor de açúcar, medido pela escala Brix (ºBx) através de um aparelho chamado refratômetro. As uvas de mesa, geralmente, têm um teor de 14º Bx. A pilar moscato só vai para o mercado quando atinge, no mínimo, 18º.  
 
Mudas que prometem esta doçura estão sendo comercializadas livremente, até pela internet, embora os anúncios sejam falsos. Mas, Harue informa que muitos produtores estão obtendo os chamados “borbulhos” ou gemas e os cultivando sem adotar os procedimentos que consagraram a Pilar Moscato.
 
Portanto, os produtores estranhos à Associação que comercializam sua produção como se fosse a Pilar Moscato estão cometendo, no mínimo, uma fraude. Em 2016 a APPC anunciou que iria acionar judicialmente um produtor de Marialva (PR) que anunciava a marca em um estande na tradicional feira da uva daquela cidade. 
 
Neste ano, apoiada pela Esalq Marketing, a APPC está promovendo uma nova campanha de conscientização para que os consumidores prestem atenção na hora de adquirir o produto. 
 
Não bastasse a falsificação, os produtores começaram a se deparar com o roubo nos parreirais em 2017, quando a imprensa deu grande destaque aos valores obtidos pelos comerciantes da fruta. Se, na lavoura, o quilo da uva alcançou o preço de R$ 20,00, em alguns supermercados de São Paulo chegou a ser vendido a R$ 90,00. 
 
Os casos de roubo foram tratados com discrição pela associação, mas alguns produtores manifestaram suas preocupações pelas redes sociais, mais comumente no Facebook. Vitor Bom, produtor e funcionário da APPC, informou que os ladrões estavam estourando as cercas na calada da noite e destruindo a cobertura das parreiras para levar as uvas.
 
Desta forma, os ladrões faziam uma colheita aleatória, sem aferir o seu teor de açúcar podendo contaminar o mercado com uvas aguadas ou muito ácidas comprometendo a reputação da fruta e dos produtores.
 
O início da comercialização da autêntica Pilar Moscato neste mês de janeiro foi marcada por uma divertida peça publicitária de autoria da Esalq Marketing. Inspirada pelos memes sugerindo estresse com as uvas passas de dezembro, a campanha lembra que janeiro é tempo de Pilar Moscato. 
 
O mês começou com muita chuva, ruim para a colheita e para a comercialização. “Ninguém compra quando está chovendo”, lamenta Harue Sawada.
 
Na praça da Matriz de Pilar a chuva é apenas uma ameaça e a menina volta com seu carrinho amarelo da Fascinatto. Meu picolé da Chandely já terminou e ela se oferece para descartar meu palito. Em agradecimento, compro outro picolé. De abacaxi de Goiás. E ganho um copo de água como brinde.
“Dinheiro não compra a felicidade, mas compra sorvetes”, diz a propaganda da fábrica. Digo o mesmo para a Pilar Moscato.