A vida chama


Honra aos antepassados é tema de filme






Miguel recebendo a bênção do seu antepassado. - Disney/Divulgação Miguel recebendo a bênção do seu antepassado. - Disney/Divulgação

 
Já faz algum tempo que a Disney não produz filmes somente para as crianças. O conteúdo tem ido muito além e atingido em cheio os adultos, que estão saindo das salas de cinema bastante pensativos. Foi assim com “Divertida mente” e agora também com “Viva – a vida é uma festa”, em cartaz em vários cinemas da cidade. 
 
A animação tem como eixo principal o dia dos mortos, celebrado com muita festa na cultura mexicana. Mas não se resume à morte em si. Ela conta a história do menino Miguel, de 12 anos. Ele deseja ser músico profissional, mas sua família quer que ele seja sapateiro, como todos os demais. Seu sonho é assunto proibido porque seu tataravô abandonou esposa e filha para tocar pelo mundo. Desde então, ninguém nesta família pode sequer cantar!
 
Quem nunca ouviu uma história de alguém que foi “influenciado” a seguir a carreira dos pais/avós e acaba cedendo à pressão? Sim, a consciência, muitas vezes, nos vincula ao grupo que é importante para a nossa sobrevivência, sejam quais forem as condições impostas. Mas isso não acontece com Miguel. Inconformado com seu “destino”, ele vai atrás da sua história e nos faz refletir sobre os nossos antepassados, as histórias mal contadas, as escolhas e as consequências em nosso dia a dia. 
 
Eu assisti ao filme com um olhar terapêutico. E constatei um viés muito grande com a Constelação Familiar, uma terapia breve baseada nas descobertas do alemão Bert Hellinger. Em seus estudos, Bert descobriu três leis naturais que atuam nos relacionamentos humanos. São também chamadas de ordens do amor: hierarquia (estabelecida pela ordem de chegada), pertencimento (estabelecido pelo vínculo), equilíbrio (estabelecido pelo dar e tomar/receber). Quando tais leis são violadas numa família, seus membros estão sujeitos à compensações como: depressões, doenças, dificuldades nos relacionamentos e financeiras, entre outras. 
 
Miguel teve de “revisitar” seu passado, entendê-lo e receber a bênção dos seus antepassados para então conseguir viver o sonho de ser músico. E é justamente isso o que é proposto pela Constelação Familiar. Esta terapia faz com que o cliente/paciente identifique onde está o emaranhamento da sua história. Na sequência, tenha a oportunidade de honrar as leis do amor para então liberar o fluxo da sua própria vida.
 
Muitas vezes, nos sentimos presos a um destino. É como se ele decidisse sobre nossa vida ou morte. Salvação ou desgraça. Felicidade ou infortúnio. Essa sensação de impotência pode até nos causar medo, mas não pode nos paralisar. É preciso identificá-la e acolhê-la se quisermos seguir adiante, como um rio que corre para o mar. 
 
Rita Bragatto é psicanalista 
Atendimento presencial e por Skype 
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Tristeza não é depressão




O dia está lindo. O raio de sol atravessa a cortina e invade seu quarto, mas tudo o que você quer fazer é virar para o lado e continuar na cama. Não tem vontade de sair. Não quer conversar com ninguém. Quer ficar lá, quietinho(a) até que o “furacão” passe. 
 
Todos nós, em algum momento, vivemos essa situação. A demissão. O fim de um relacionamento. A morte de um amigo. Qualquer perda pode gerar tristeza. Mas isso não é doença. Muito pelo contrário. Preocupante seria se não sentíssemos nada diante das perdas; se fôssemos indiferentes. É importante que fiquemos tristes, que possamos chorar. Isso nos alivia, promove um extravasamento e a superação da dor. 
 
Atualmente, a depressão é uma das doenças mais diagnosticadas no mundo. Com a popularização do termo, tornou-se praticamente um sinônimo de tristeza. Mas, cuidado com isso! Existem grandes diferenças entre depressão e tristeza. A depressão é o mal da contemporaneidade. E os laboratórios de remédios viram na doença uma oportunidade, um amplo mercado a ser explorado. Como resultado, muitas pessoas tomam antidepressivos como se fossem analgésico para dor de cabeça. 
 
A tristeza pode ser entendida como um sentimento natural gerado por um evento negativo e impactante na vida de alguém. Ela é passageira. O que não significa que seja algo fácil de lidar. Mas, conforme os dias passam, essa dor tende a diminuir e aliviar dentro do peito. Uma característica essencial é que, apesar de triste, a pessoa não se distancia completamente daqueles que estão a sua volta. Geralmente, se aproxima para ter um apoio e conseguir superar suas dificuldades. 
 
Já a depressão, por sua vez, é uma doença. Possui graus de severidade (leve, moderada e grave). É caracterizada pelo retraimento e isolamento do paciente, assim como por uma falta de vontade de realizar suas tarefas diárias. Há dificuldade de concentração e cansaço sem explicação. Alterações no sono e no apetite também podem estar presentes. O deprimido se distancia das pessoas queridas e apresenta um desânimo, aparentemente sem motivo, perante a vida. Diversos são os fatores para o desenvolvimento de uma depressão que variam entre genéticos, situações de forte estresse, perdas importantes, doenças crônicas, cardíacas, internações hospitalares, entre outros. 
 
Cerca de 18% das pessoas vão apresentar depressão em algum período da vida. Quando o quadro se instala, se não for tratado convenientemente, costuma levar vários meses para desaparecer ou até mesmo desencadear a morte deste paciente que, frequentemente, pensa em suicídio. Depressão é também uma doença recorrente: quem já teve um episódio na vida apresenta cerca de 50% de possibilidades de manifestar outro; quem teve dois, 70% e, no caso de três quadros bem caracterizados, esse número pode chegar a 90%. 
 
A ocorrência de depressão num membro da família aumenta a possibilidade de um parente próximo ou de primeiro grau ser afetado pela doença. Filhos de deprimidos, em geral, manifestam maior predisposição do que filhos de pais não deprimidos. No entanto, devem sempre ser considerados, nesses casos, não só os fatores genéticos, mas também o peso dos fatores ambientais.
 
As mulheres têm mais depressão do que os homens. O sexo feminino passa por vários processos hormonais durante a vida: o início dos ciclos menstruais, a gravidez, o parto e, por último, a menopausa. Tudo isso implica alterações na produção dos hormônios sexuais femininos e torna a mulher mais vulnerável. 
 
Em todas as situações, a família pode ajudar – e muito – oferecendo parâmetros de realidade. Esse paciente precisa ser estimulado de acordo com suas possibilidades de desempenho. Mas é importante respeitar as limitações que a doença impõe naquele momento. Vale ressaltar que, muitas vezes, ele não reage a esse estímulo. Essa incapacidade de reação é uma das características da doença e ajuda a diferenciar o estado patológico do normal. Quando estamos tristes, somos capazes de reagir aos estímulos de prazer. O deprimido dificilmente o consegue. A depressão tira-lhe as forças. Ele não tem como lutar contra ela.
 
As sessões de psicanálise funcionam como forte suporte neste momento. Para superar a doença, você precisa entrar em contato com seus medos e desejos profundos. Lidar com a depressão é uma forma de se conhecer melhor e de aprender a expressar as nossas emoções. Como toda superação, possui o lado positivo: você tem chance de sair bem mais forte desta batalha! Como disse a autora Brené Brown: “Somente quando temos coragem suficiente para explorar a escuridão descobrimos o poder infinito da nossa própria luz.”
 
Rita Bragatto é psicanalista
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O que seu corpo diz sobre você?




Recebi o diagnóstico de hérnias de disco como se fosse uma doença terminal. Faz uns dez anos, mas me lembro que fiquei paralisada diante do médico. Ele foi categórico: ou você faz cirurgia ou para com as atividades. Na época, eu fazia triatlo e montanhismo. Canalizava toda a minha energia na prática de esportes outdoor. Foi como se o chão se abrisse sob meus pés.
 
Minha mãe já tinha sido operada pelo mesmo motivo duas vezes e ficou com sequelas. A região é muito delicada. Eu não queria correr o risco. Tampouco imaginava a minha vida sem a sensação de bem-estar que o esporte me proporciona. Ou seja: estava diante de uma bifurcação e nenhum dos caminhos era atrativo pra mim.
 
Foi quando meu personal trainer, Eduardo Borges, me apresentou o caminho do meio. Ele já me treinava há alguns anos. E sabia que nem mesmo a dor insuportável ia me fazer parar de praticar esportes. Ele pesquisou bastante e sugeriu que eu suspendesse, temporariamente, a minha participação em provas e escaladas. Mudou completamente meu treino. Fez um trabalho específico de isometria. Mas, principalmente, me deu um baita suporte psicológico. Mostrou uma luz no fim do túnel.
 
Confesso que o novo treino era bem chato. Estranhei bastante. Resmunguei um monte. Eu estava acostumada a treinar forte. De repente, me vi fazendo exercícios que mais pareciam fisioterapia. Mas ainda assim, estava na academia. Cercada por gente alto astral. Com o Eduardo sempre falando que isso era só uma fase ruim; que logo ia passar. E isso fez muita diferença. E o melhor: ele estava certo. Passou. De lá prá cá eu não apenas voltei a fazer as minhas atividades como me superei. Em 2015, por exemplo, chegue a correr várias meias-maratonas. E com um sorriso estampado no rosto.  
 
Hoje, como terapeuta, tenho outra visão a respeito disso tudo. É claro que as hérnias podem ter surgido por hereditariedade. Conformação genética. Mas o que faz mais sentido pra mim é olhar a enfermidade dentro de um contexto emocional. Tenho formação em Leitura Biológica e essa ferramenta terapêutica parte do princípio que todo conflito emocional pode desencadear uma doença física. 
 
Minhas hérnias surgiram logo depois que fiquei viúva. Metafisicamente, a coluna representa nosso eixo interior. É ela quem fornece apoio físico e sustentação emocional para o nosso ser. Problemas de coluna indicam desequilíbrios ou dificuldades com o mundo externo. A doença é uma mensagem do corpo. E o meu estava gritando que a realidade estava pesada demais.
 
É importantíssimo interpretar o significado mais profundo das nossas enfermidades. Perguntar: o que essa doença significa para mim? O que posso aprender com ela? Utilizo bastante esta técnica com meus pacientes. Através dos sintomas físicos posso identificar quais conflitos emocionais eles estão vivenciando. Qualquer desconforto é uma mensagem direta dirigida a você a respeito do quanto está fora de alinhamento com seu verdadeiro ‘eu’. É como se a doença nos dissesse: você não está dando atenção ao seu ‘eu’ como um todo; está ignorando alguma coisa importante. 
 
Ainda bem que pude contar com o suporte de um profissional tão competente como o Eduardo. Ele é professor em várias faculdades. Está elaborando sua tese de doutorado justamente sobre hérnias de disco. É respeitadíssimo no meio. Mas, principalmente, foi o profissional que conseguiu me enxergar além da enfermidade e a quem serei eternamente grata. 
 
Nesta primeira semana do ano, resolvi voltar a treinar com muita determinação. Estou com planos de realizar várias atividades outdoor em 2018. Adivinha só quem eu chamei pra me treinar? Só podia ser ele, né? Nosso lema é o mesmo do psicoterapeuta Carl Gustav Jung: “Eu não sou o que me aconteceu. Eu sou o que decido me transformar!”.    
 
Rita Bragatto é psicanalista
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