1 gole, 1 garfada, 1 viagem


Branco ou tinto no verão? Saiba porque eles têm tudo para conquistar seu paladar no lugar da cervejinha




POR MARCO MERGUIZZO (*)
 
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No verão, é correto se tomar branco ou tinto? Bem, vamos direto ao ponto: primeiramente, não existem "vinhos de verão", de inverno ou de qualquer outra estação, já que um bom vinho é para ser saboreado a qualquer tempo e em qualquer estação do ano, seja ele branco, tinto, rosé, do tipo tranquilo ou borbulhante. Portanto, são tantos e tão diversos os estilos, produtores e regiões vinícolas, que sempre haverá clima, hora e lugar para que um rótulo de qualidade seja desarrolhado e saboreado à mesa, tanto nos dias mais frios, quanto no calorão que faz todo início de ano.
 
Claro que, por hábito e por questões culturais, a preferência do brasileiro recaia invariavelmente sobre a cerveja, a campeã das preferências no copo - sobretudo se ela estiver trincando de gelada, afinal quem resiste, não é mesmo? E, no caso do vinho, os tintos também costumam ser de longe os favoritos dos consumidores.
 
Nada contra um ou outro, mas na estação mais quente do ano, quando os termômetros costumam bater fácil os 30º, 35ºC, saborear brancos, rosés, espumantes e mesmo tintos mais jovens, frutados e refrescantes podem surpreender, proporcionando grande dose de prazer ao paladar e, de quebra, aplacar a sede e o calor.
 
A dica, portanto, é quebrar paradigmas e, no lugar da tradicional cervejinha, que por vezes empapuça o organismo quando sorvida aos baldes, começar a provar vinhos de diferentes produtores, regiões e países e, fundamental, servi-los na temperatura adequada, ou seja, mais resfriados, para usar o termo técnico correto, e não na temperatura ambiente, o que favorecerá os predicados de cada uma das categorias de vinho (veja, abaixo, a tabela que pode ajudá-lo a compreender melhor esse conceito).


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Beber vinho à temperatura ambiente, por sinal, é um mito - e totalmente equivocado. A prática de "aquecer" o vinho tem origem no termo francês "chambre", ou seja, deixar que o vinho se aqueça na temperatura ambiente da sala onde ele será bebido até atingir o ponto ideal. Mas isso só se o líquido estiver com a temperatura muito abaixo da ideal.
 
De todo modo, sabe-se que nada influi tanto na apreciação de um vinho quanto a sua temperatura. No Brasil, estamos acostumados a extremos em tudo o que bebemos: café escaldante, cerveja "estupidamente gelada" e por aí vai. O vinho é uma bebida delicada e cheia de nuances. Seria um "crime", por exemplo, deixar um Champanhe francês congelar ou degustar um grande tinto a 30ºC, a temperatura média que costuma impera durante o verão em boa parte do país.
 
Anote: vinho tinto à temperatura ambiente só vale se esta for a ideal para o seu estilo. Para começar, nenhum vinho deve ser servido além de 20ºC, a não ser que você esteja gripado e queira fazer uma inalação, pois, a uma temperatura dessas, a evaporação do álcool será intensa. Outro ponto importante: em qualquer época é raro não haver a necessidade de resfriar um vinho - sobretudo no verão. O fato de não possuir uma adega climatizada em casa ou não dispor de um termômetro de vinhos não elimina sua necessidade de controlar a temperatura da bebida. 
 
Por isso é útil saber que na parte interna da porta de uma geladeira a temperatura mínima (1ºC no termostato) permanece em torno de 12ºC. Já no fundo, junto à placa fria, é de +/- 3ºC. No meio, cerca de 6ºC. Anote esta dica: para tintos que pedem temperaturas mais altas do que 12ºC, deixe-os gelar na porta por um período de, no máximo, 2h. Mas evite manter vinhos por muitos dias na geladeira, pois a vibração não fará bem ao líquido. Também é super prático usar um balde com gelo e água gelada. Neste caso, deixe os tintos mais potentes por cerca de dez minutos e depois os retire. 
 
OS VINHOS COM A CARA DO VERÃO


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Anotadas todas as dicas acima, motivos é que não faltam para que brancos, rosés, tintos e espumantes invadam de vez sua praia - melhor, o seu copo - neste verão. Com particularidades próprias na taça, cada um deles costuma encantar o paladar pela personalidade, frescor e tipicidade das uvas empregadas, originando tanto varietais (de uma única cepa) quanto vinhos de corte extremamente sedutores e cativantes.
 
Particularmente, sou fã de carteirinha dos brancos e rosados. Além de todos os predicados organolépticos citados, eles têm tudo a ver com o clima tropical do Brasil e são perfeitos para serem saboreados durante a estação mais quente do ano.
 
Degustados, em geral, entre 8ºC e 12ºC, eles apresentam cores, aromas, sabores e a leveza que a temporada de calor requer - ou seja, essas categorias de vinho têm a cara do verão. Sem contar que, gastronomicamente falando, oferecem uma ampla gama de possibilidades na hora de combinar à mesa com pescados, molhos leves e delicados, saladas e vegetais sazonais que costumeiramente estampam os menus nesse período do ano.
 
Mas, detalhe: não se trata aqui dos chamados rótulos "fruit bombs" (aqueles vinhos de muita concentração de frutas que "explodem" no nariz) que apresentam paladar ligeiro e de pouco caráter e que são chamados por vezes pejorativamente de "vinhos de piscina". Hoje, inclusive, a indústria vinícola criou uma nova categoria de rótulos para serem saboreados com pedras de gelo, o que pode parecer uma heresia para muitos, e que podem integrar ainda drinques e aperitivos. 
 
BRANCOS: AS PRINCIPAIS VARIEDADES E COMO ELES SÃO FEITOS
 
Grandes brancos sempre foram feitos com as uvas Chardonnay, Riesling, Sémillon e Sauvignon Blanc (veja, logo abaixo, a descrição das principais uvas brancas e sugestões de harmonização), para citar apenas as mais importantes. Mas, enquanto a Chardonnay e a Riesling originam vinhos secos excepcionais sem necessidade de corte com outras uvas, a Sémillon e a Sauvignon Blanc, por exemplo, dão melhor resultado quando combinadas entre si e com outras cepas complementares.
 
No processo de vinificação, a parte sólida das brancas (ou seja, a casca e as sementes) são retiradas antes de fermentar. Assim, o vinho é obtido pela fermentação do mosto, sem a necessidade de esmagá-lo. Por vezes, porém, as cascas não são retiradas, a fim de melhor extrair os seus aromas. Nesses casos, a uva tem de ser necessariamente branca para não tingir o vinho.
 
O uso de cubas de aço inoxidável no lugar dos tonéis de madeira, para fermentação e maturação, também é outra diferença quanto à elaboração dos tintos. Exceto a Chardonnay e a Sauvignon Blanc, 90% dos brancos são vinificados dessa forma. Nos dias atuais, tecnologia e equipamentos cada vez mais modernos e precisos são fundamentais para a produção de vinhos brancos. Nas cubas, porém, é impossível trabalhar aromas terciários ou mesmo mascarar características e possíveis defeitos da uva. 
 
Assim, se no caso dos vinhos tintos a madeira oferece vantagens, como a transmissão de aromas, taninos e sabores complexos, os tanques de inox permitem um maior controle da temperatura, evitam a fuga dos aromas primários pelo arraste do gás carbônico durante a fermentação alcoólica e produzem vinhos brancos de grande frescor. Já o vinho rosé é resultante da fermentação do suco extraído de uvas tintas na qual há um curto contato das cascas com o mosto, com a finalidade de se atribuir um leve toque rosado à cor da bebida. Este tipo de vinho também pode ser obtido por corte através da mistura de um vinho branco com um tinto. 
 
Em ambos os casos, eles são fermentados junto com as cascas, ao contrário dos brancos, cuja elaboração ocorre sem a presença delas. É daí que vem a coloração final da bebida, que pode variar do rosa clarinho ao púrpura vívido, dependendo das uvas utilizadas e da técnica de fermentação. Ou seja, quanto mais tempo em contato com as cascas, mais forte será a cor do vinho. E vice-versa: quanto menos tempo, mais clara será a cor final do líquido. Obviamente que a coloração da casca de cada uva conta bastante, mas é o tempo em que o mosto fica em contato com elas que será determinante para a coloração do vinho. 
 
AS UVAS BRANCAS BOAS DE TAÇA 


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ALVARINHO
 
Estrela entre as castas brancas portuguesas, destaca-se como varietal de aromas intensos de laranja, limão e pessego e frutas tropicais, como manga e maracujá. Além da Espanha, onde recebe o nome de Albariño, é cultivada na região dos vinhos verdes, no coração do Minho, originando vinhos secos com ótima estrutura, acidez e frescor. Harmoniza-se com todo tipo de peixe, sobretudo os mais nobres, assados, grelhados ou com molhos e demais pescados.
 
CHARDONNAY
 
Típica da Borgonha é a mais difundida e globalizada das castas brancas. Usada no champagne, tem aromas refinados de damasco, seguidos denuances de baunilha e mel. Na boca, notas amanteigadas, madeira nova e amêndoas. Ao lado da Riesling é a variedade que contempla o maior espectro gastronômico. Combina com peixes nobres untuosos (salmão, haddock e bacalhau) e crustáceos (lagosta e camarões) servidos com molhos à base de manteiga e vinho branco. 
 
GEWÜRZTRAMINER
 
Está entre as mais aromáticas das uvas brancas. Bouquet temperado por toques de maracujá, abacaxi e pétalas de rosa. Paladar floral, adocicado e bastante intenso. Vai bem com pratos da cozinha oriental muito condimentados, que levam curry. Ou, ainda, com foie gras, queijos pungentes, como o gorgonzola, além de carnes brancas grelhadas, aves com molhos cremoso e sobremesas não muito açucaradas. Também pode ser uma ótima bebida pré-dinner.
 
MALVASIA
 
Associada a outras castas, em geral a Trebbiano, produz grandes vinhos de sobremesa, como o Vinsanto, e brancos secos, caso dos Frascati. Nos primeiros, aromas ricos de caramelo, mel, frutas secas e uva-passa. Nos vinhos secos, toques de maçã e agradável frescor na boca. Para estes, são combinações certeiras pratos à base de peixes leves grelhados, como a pescada, e queijos macios.
 
PINOT BLANC
 
Pouco divulgada, integra o DNA de muitos espumantes alsacianos e italianos, onde é mais cultivada. Origina vinhos leves, frescos e frutados, com aromas pouco intensos de maçã e pera. Apesar de sua pouca complexidade, transmite boa acidez e maciez na boca. Casa bem com pratos de frutos do mar pouco condimentados e sem molho, além de carnes brancas grelhadas.
 
RIESLING
 
Diferentemente da Riesling Itálica, que é cultivada no Brasil, esta variedade alemã faz excelentes brancos no mundo todo. "Rainha" das uvas alsacianas, seus vinhos são elegantes e de frescor incomparável. Aromas florais e minerais na juventude. Ao evoluir, amadurece com notas de especiarias, maracujá e frutas secas. Exposta à podridão nobre, também produz extraordinários vinhos doces. Para Lucki, "é uma uva notável e completa", que vai bem com pescados cozidos no vapor, comida asiática tai e japonesa (tepanyaki, sukiaki), ostras, vitela, carnes brancas grelhadas, com molhos cremosos e à base de vinho branco, além de frios, queijos macios e chucrute.
 
SAUVIGNON BLANC
 
Típica de Bordeaux, esta uva, também conhecida por Fumé Blanc, origina uma enorme variedade de vinhos. Os mais famosos são elaborados nas regiões francesas do Loire, onde produz o Sancerre e o Poully-Fumé. Também tornou-se uma especialidade da Nova Zelândia, que com ela faz vinhos de aromas exóticos. Seu caráter frutado e ótima acidez lhe conferem agradável frescor e leveza, ideais para escoltar a tradicional boulabaisse francesa (sopa de frutos do mar), ostras, peixes nobres leves puxados no vinho branco ou em molhos amanteigados.
 
SÉMILLON


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Versátil, esta uva bordalesa é utilizada na produção de vários brancos, secos e doces. Misturada a Sauvignon Blanc, origina os principais brancos secos de Bordeaux, como o Hautbrion. Também é base para o Sauternes e o Barsac, famosos vinhos de sobremesa. Nestes, apresenta aromas de frutas secas, mel e flores. Nos secos, toque mineral pouco intenso seguido de notas herbáceas e de frutas (maçã e pêra). Combina com carnes brancas e peixes leves ao molho de ervas, ou de laranja.
 
NA MESA, O QUE COMBINA COM O QUÊ 
 
Em geral, brancos e rosados, sobretudo os primeiros, vão bem com pratos à base de pescados, carnes brancas grelhadas, queijos leves e macios, foie gras, ostras, comidas asiáticas condimentadas e sobremesas entre outras combinações. Rosés e brancos secos mais ligeiros e frescos são perfeitos como bebida pré-dinner, preparando o paladar. De acordo com os especialistas, uma refeição com cardápio equilibrado pode contemplar quatro brancos (do pré-dinner ao digestivo) e apenas um tinto, dependendo do prato de resistência.
 
A TEMPERATURA E O COPO IDEAIS
 
Brancos encorpados, caso do Chardonnay, devem ser servidos a 12, 14ºC. Brancos secos frescos e ligeiros a 8ºC. Brancos de sobremesa, gelados a 5ºC. Para resfriá-los, coloque-os num balde de gelo ou em pé na porta da geladeira (nunca no freezer), em tempo suficiente para atingir a temperatura ideal.
 
Vidro ou cristal, mas sempre transparente, o copo de vinho branco é menor e menos bojudo que o dos tintos. Tem, porém, haste mais longa para evitar que o calor das mãos aqueça a bebida, alterando a temperatura. Já o Borgonha branco utiliza um formato mais largo, que concentra melhor os seus aromas e direciona o vinho para o centro da língua, onde os seus sabores podem ser melhor apreciados.
 
RÓTULOS QUE VÃO FAZER SEU VERÃO AINDA MELHOR


Em ordem alfabética, uma seleção de 18 rótulos para todos os bolsos e gostos, com sugestões de harmonização

BRANCOS E VERDES

 

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QUINTA DO AMEAL BICO AMARELO 2016 (MINHO/ PORTUGAL) 
Criado para o mercado brasileiro, este vinho verde é para se tomar aos baldes. Mais moderno que os vinhos verdes de perfil clássico, é um corte das uvas Loureiro (60%), Alvarinho (20%) e Avesso (20%). Apresenta aromas florais e frutados bem combinados e equilibrados, próprios da combinação desse trio lusitano de castas. Paladar macio, boa acidez e frescor e final de boca frutado e persistente. Faz bonito tanto como aperitivo como com carnes defumadas, peixes, mariscos, sushis e comida oriental. R$ 62 (wwww.qualimpor.com.br)

CAMPAGNOLA SOAVE CLASSICO DOC LE BINE 2016 (VÊNETO, ITÁLIA)

 Mescla das variedades Garganega e Trebbiano di Soave. Rico e muito aromático, mostra boa profundidade de fruta e uma destacada cremosidade no palato. Muito fresco e delicado, é perfeito como aperitivo e para acompanhar pratos e entradas à base de peixe ou pratos elaborados com legumes e verduras. R$ 110 (www.mistral.com.br)
 
CASA DONOSO EVOLUCIÓN RESERVA SAUVIGNON BLANC 2016 (VALLE DE MAULE, CHILE) 
 Varietal elaborado com Sauvignon Blanc. No nariz, frutas cítricas com delicadas notas de ervas recém-cortadas. Na boca é leve, alegre e jovial, com aroma e acidez balanceados. Vai bem com pratos leves, saladas, pescados e carnes grelhadas. R$ 47 (www.bevgroup.com.br) 
 
CISPLATINO TORRONTÉS 2017  (CANELONES, URUGUAI)
 Recém-lançada pela premiada bodega Pisano. Elaborado 100% com a uva branca Torrontés, bastante cultivada no Uruguai e Argentina. Aromático, refrescante e sápido, é perfeito para ser servido como aperitivo e na escolta de saladas e pratos leves. R$ 67 (www.mistral.com.br) 
 
COSTA DO SOL D.O.C. VINHO VERDE 2016 (MINHO, PORTUGAL)
Mescla de várias uvas portuguesas, aromas de frutas brancas e toque cítrico, No paladar é leve, frutado e tem agradável acidez. Fácil de beber e de harmonizar, perfeito para momentos de descontração, como à beira da praia ou da piscina. Vai bem com camarãozinho frito, bruschetta, salada de bacalhau, filé de frango com legumes grelhados, isca de peixe empanado e pastas com molho branco. R$ 48 (www.wine.com.br) 
 
ESPORÃO RESERVA BRANCO 2016 (ALENTEJO, PORTUGAL) 
Elaborado com castas brancas regionais de nomes curiosos - Arinto, Antão Vaz e Roupeiro -, este branco sugere aromas ricos com notas de limão e grapefruit. No paladar é cremoso, com estrutura e volume, revelando um excelente equilíbrio e preenchimento pela fruta. Final longo e elegante. Faz bonito com ostras, pescados, saladas e embutidos. R$ 145 (www.qualimpor.com.br) 
 
ROPITEAU FRÈRES LES PLANTS NOBLES CHARDONNAY 2016 (LANGUEDOC-ROUSSILLON, FRANÇA) 
No nariz, este best-buy apresenta aromas de frutas brancas (pera) e amarelas (pêssego) e delicados toques tostados e de baunilha. Paladar leve, com acidez agradável e boa persistência. Faz boa figura com massas, como espaguete na manteiga de ervas, quiche lorraine, moquecas, saladas e peixes e crustáceos. R$ 54 (www.wine.com.br) 

VILLARD SAUVIGNON BLANC EXPRESION 2016 (VALLE DE CASABLANCA, CHILE) 

Produzido por uma vinícola-boutique pioneira no Chile, este excepcional monocasta leva a assinatura inconfundível do craque francês Thierry Villard, grande especialista de brancos da região vinícola de Casablanca. Notas aromáticas de maracujá e herbáceo (funcho). Em boca é suculento e equilibrado, com corpo e textura delicadas e final longo. R$ 117 (www.decanter.com.br) 
 
WILLIAM COLE PARANAL SAUVIGNON BLANC 2015 (CASABLANCA, CHILE) 
As uvas deste varietal de ótima relação custo-prazer são cultivadas no valle de Casablanca que está localizado a 28 km do Oceano Pacífico. No nariz, aromas de frutas cítricas e notas herbáceas. Acidez refrescante na boca, persistente e retro-olfato herbáceo. Combina com peixes e frutos do mar, comida oriental, queijo de cabra, risoto de aspargos e massas com molho de frutos do mar. R$ 59 (www.vinissimo.com.br) 
 
ESPUMANTES 


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FORTANT DE FRANCE LUX ROYAL ROSÉ BRUT 
Aromas de frutas vermelhas frescas, tomilho e delicada mineralidade. Ótimo pré-dinner para aperitivos ou para acompanhar carpaccio de salmão, cogumelo Porto Belo recheado com tomate seco, ceviches, quiches, bruschettas e saladas. R$ 81 (www.wine.com.br) 
 
VEUVE D`ARGENT BLANC DE BLANCS BRUT (BORGONHA, FRANÇA)
No nariz, notas de frutas brancas (pera e maçã), amêndoas, nozes e toque minera. Ótima acidez e notas frutadas em boca. Combina com sushi e comida japonesa e pescados crus ou grelhados, aves e carnes vermelhas assadas e grelhadas. R$ 43 (www.wine.com.br) 
 
ROSÉS 
 
BAYANEGRA ROSADO (BODEGAS CELAYA - ALBACETE, ESPANHA) 
Varietal com 100% Tempranillo, a uva-símbolda da Espanha, Aroma floral, com ótima acidez em boca, leve e refrescante, Ótimo para acompanhar aperitivos. R$ 51 (www.mistral.com.br) 
 
DOMAINE SORIN TERRA AMATA ROSÉ 2016 (PROVENCE, FRANÇA) 
Muticastas de 7 uvas: 40% de Grenache, 15% de Cinsault, 15% de Mourvèdre, 10% de Syrah, 10% de Carignan, 5% de Rolle e 5% de Ugni Blanc. No nariz, notas de pêssego, tangerina e um quê mineral. Em boca, muito frescor, fruta e ótima acidez, com final longo. Faz ótima figura com pescados, ostras, saladas, queijos macios ou, ainda, como pré-dinner. R$ 123 (www.decanter.com.br) 
 
MAISON CASTEL CÔTES DE PROVENCE AOC ROSÉ 2016 (PROVENCE, FRANÇA)
Cortes de Grenache, Cinsault e Syrah. Aromas de frutas vermelhas e cítricas. Na boca retrata impressões olfativas, bom corpo e acidez. De perfil gastronômico, combina com pescados e pratos da cozinha asiática, levemente picante. R$ 96 (www.bevgroup.com.br) 


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TINTOS 
 
ANTONIO SARAMAGO ILÓGICO 2015 (ALENTEJO, PORTUGAL) 
Corte de 50% de Trincadeira e 50% de Aragonês. Fermentação em cuba de inox e estágio em carvalho francês e americano durante 3 meses e em garrafa durante 6 meses. Aromas de frutos vermelhos. Na boca apresenta médio corpo, taninos equilibrados, boa acidez e elegância. Combina com carnes e queijos frescos e semi-maturados. R$ 57 (www.vinissimo.com.br) 
 
CASAL DA COELHEIRA 2012 (TEJO, PORTUGAL)
Mescla das uvas Alicante Bouchet, Touriga Nacional e Touriga Franca. Leve estágio em carvalho americano e filtração. Marcado por frutas maduras, notas florais e fino tostado. Equilibrado na boca, apresenta bom corpo, textura, fruta e persistência. Casa bem com carnes vermelhas, porco, aves e queijos curados. R$ 48 (www.vinissimo.com.br) 
 
ROPITEAU FRÈRES LES PLANTS NOBLES PINOT NOIR 2016 (LANGUEDOC-ROUSSILLON, FRANÇA) 
Aromas de frutas vermelhas, secundados por notas tostadas, baunilha e coco. Em boca, muitas frutas e frescor com taninos doces e delicados. Combina com pratos leves, iscas de filé mignon acebolado, pastas com molho vermelho, escondidinho de carne seca e queijos semiduros. R$ 54 (www.wine.com.br) 
 
TENUTA SANT'ANTONIO NANFRÈ D.O.C. VALPOLICELLA SUPERIORE 2015 (VALPOLICELLA, ITÁLIA) 
 No nariz, notas de frutas negras, florais e especiarias doces. Em boca se mostra frutado, de perfil gastronômico, com corpo de leve para médio, acidez agradável, taninos macios e boa persistência. Faz bonito com massas com molhos vermelhos, risotos, maminha grelhada na manteiga e churrasco. R$ 71 (www.wine.com.br)
 
 
(*) MARCO MERGUIZZO é jornalista profissional especializado em gastronomia, vinhos, turismo e estilo de vida. Confira outras novidades no Instagram (@blog 1gole1garfada1viagem) ou clique aqui e vá direto para a página do blog no Facebook.
  
 





Sob inspiração do Black Friday, importadoras fazem promoções de vinhos em janeiro. Boa hora para abastecer a adega, sem doer o bolso




POR MARCO MERGUIZZO (*)
 
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Como muitos segmentos do comércio que promovem o tradicional Black Friday - dia de descontos no varejo cujo conceito foi importado dos Estados Unidos e que no Brasil acontece todo final de novembro -, as importadoras de vinhos em todo o país também reeditam todo início de ano os seus próprios "Black Wines" de verão ou "queimas de estoques", após as festas de fim de ano, destinados a cativar a cada vez mais crescente legião de consumidores e amantes de vinho.
 
Boa hora para quem é fã de brancos, tintos, rosés e rótulos espumantes arrematar vinhos de diferentes produtores e procedências visando a repor e turbinar a adega, com exemplares que apresentam em outras épocas preços por vezes proibitivos. Ou seja, sem doer e machucar o bolso, os descontos podem chegar a, até, 70% do valor cobrado normalmente do consumidor final.

Além de buscar nestes "feirões eletrônicos" e queimas de estoque das lojas os rótulos e os produtores de sua preferência - os quais, portanto, você já conhece e sabe quanto custam normalmente -, vale lembrar, entre outras dicas, que é recomendável fazer uma pesquisa prévia em sites que costumam comercializar vinhos, comparando os preços praticados sem os descontos com aqueles oferecidos em tais promoções pelas importadoras, para ver se de fato são vantajosos.

Como regra geral, também é aconselhável, assim como em outros segmentos do varejo, certificar-se sobre a idoneidade e a credibilidade do importador e do próprio site e ainda informar-se antes sobre as formas de cobrança e o tempo de entrega da compra, a fim de fugir de possíveis "ciladas", evitando assim dissabores e o que seria um bom negócio vire, com o perdão do trocadilho, vinagre e sua aquisição de vinhos azede antes mesmo que você abra a primeira garrafa.


Confira, abaixo, alguns importadores tradicionais, listados por ordem alfabética e conhecidos no mercado por seu profissionalismo e respeito ao consumidor, que estão organizando saldões de verão dos seus portfólios, durante os meses janeiro e fevereiro, já a partir do início desta semana: 
 
DECANTER 
 
Com um dos maiores e mais importantes portfólios de vinho do país, a importadora Decanter começa nesta quarta, 17/1, o seu "Summer Sale". São cerca de 50 rótulos, com descontos que variam entre 30% e 50%.

Na lista de rótulos com ótima relação preço-prazer são ótimas compras, por exemplo, o tinto sul-africano Glen Carlou Pinot Noir 2013, da região de Paarl (de 133,50 por 93,45; desconto de 30%) e o tinto de corte Fox Creel Shadow"s Run (Shiraz/Cabernet Sauvignon), produzido em McLaren Valley, na Austrália.

A promoção se estende até 18/2 e é válido somente para compras realizadas no site da importadora (www.decanter.com.br). 


GRAND CRU

Desde o comecinho de janeiro, esta importadora paulistana, que tem uma loja franqueada em Sorocaba e mais de quarenta filiais espalhadas pelo pais, oferece em seu tradicional "Grand Solde" centenas de rótulos de diversos produtores do Novo e Velho mundos disponíveis normalmente em seu catálogo. 


Com descontos de até 55%, destacam-se brancos, tintos, rosés e espumantes de diferentes vinícolas e países, caso dentre outros dos premiados Mazzei, da Itália; da vinícola Zorzal, da Argentina, além do produtor italiano Massolino. A seguir, algumas sugestões de rótulos campeões: Mazzei Ser Lapo Chianti Classico D.O.C.G. Riserva 2013 (R$ 199 por R$ 100) e Escorihuela Gascon Malbec biodinamico 2015 (de R$134 por R$67). Ainda para fãs de Barolo, o Massolino D.O.C.G. Parussi 2007 (R$699 por R$350). 
 
A promoção da Grand Cru vai até o dia 28/2 e é possível arrematar estes e outros rótulos tanto nas lojas físicas quanto pelo site (www.grandcru.com.br; através deste canal o frete é gratutio) e ainda, para quem se sente mais à vontade na hora de tirar dúvidas, por meio de venda personalizada pelo DDG 0800 777 8558. Observação importante: limitados, os estoques estão sujeitos a alterações conforme cada cidade e os rótulos sejam arrematados.


PREM1UM
 
Com filial na capital paulista, esta tradicional importadora de Belo Horizonte tem sempre em seu portfólio rótulos surpreendentes de mais de 100 pequenos produtores garimpados criteriosamente em oitos países do Novo Mundo, como Nova Zelândia, Argentina, Chile e Uruguai, e do Velho Continente, caso da França, Espanha, Itália e Portugal. 
 
De 48 regiões vinícolas provêm alguns ótimos brancos e tintos que estão na promoção de verão que vai até 26/1 (ou enquanto durarem os estoques), e que podem ser arrematados com até 50% de desconto. Caso do delicioso riojano Sanz Verdejo 2013 e do uruguaio De Lucca Merlot Reserva 2009 (de R$ 70,38 por R$ 35,19). Vendas em São Paulo através do fone (11) 2574-8303 ou email (contato@premiumwines.com.br).
 
WORLD WINE 
 
A importadora do empresário ítalo-paulistano Celso La Pastina realiza até dia 18/2 o seu tradicional "Bota-Fora WW". São mais de 150 rótulos - tintos, brancos, roses e espumantes provenientes de várias regiões da França, Alemanha, Portugal, Itália, Argentina e Espanha, comercializados por meio de seu site (www.worldwine.com.br), telefones (11) 4003-9463 e DDG 0800 880 9463) ou numa de suas dez lojas situadas em cinco cidades brasileiras, três delas em São Paulo.


Os descontos variam entre 30% e 70%. Na lista de ofertas, três bons achados: o tinto espanhol Vinos Guerra Mencía (de R$ 59 por R$ 23,60), o mendocino Catalpa Cabernet Sauvignon (de R$ 118,00 por R$ 59,00) e o italiano White Label IGT, produzido na região da Toscana (de R$ 272,00 por R$ 136,00).


WINE.COM.BR


Pioneiro no mercado brasileiro, o maior e-commerce de vinhos da América Latina oferece aos fãs de vinho de todo o país a oportunidade de concorrer a uma viagem com acompanhante para uma região produtora fora do Brasil. Ao lado dos "winehunters" da empresa, Vicente Jorge e Manu Brandão, o vencedor do sorteio, além de visitar a vinícola, participará da seleção de um novo rótulo que comporá o portfólio da Wine. 
 
A viagem inclui três noites com passagem aérea, hospedagem, alimentação e traslados. Para participar é necessário realizar uma compra no valor de R$ 350 por pedido entre os rótulos previamente selecionados pela loja virftual e, a seguir, acessar o link da campanha ( www.wine.com.br/wineinfo/hotsite/especial/sunset-wine/promocao) e responder a uma única pergunta.
 
O sorteio ocorrerá no dia 16/2. A promoção é válida apenas para maiores de 18 anos.
 
(*) MARCO MERGUIZZO é jornalista profissional especializado em gastronomia, vinhos, turismo e estilo de vida. Confira outras novidades no Instagram (@blog1gole1garfada1viagem) ou clique aqui e vá direto para a página do blog no Facebook.  





Vai viajar? Prepare a mala e o paladar e siga um roteiro exclusivo de sabores regionais em 10 destinos brasileiros




POR MARCO MERGUIZZO (*)

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De mordida em mordida. De Belém, no extremo norte do país, celeiro de peixes e ingredientes incríveis da região amazônica, a Porto Alegre, a capital gaúcha colonizada por imigrantes europeus e suas várias vertentes culinárias, situada no lado oposto do mapa - a gastronomia brasileira é tão surpreendente, diversificada e rica em produtos, sabores e propostas de cozinha quanto os povos que emigraram para cá e as populações indígenas que aqui residiam há milhares de anos.
 
Confira, abaixo, um roteiro exclusivo para gourmet nenhum botar defeito de doze endereços instigantes que tem brilhado intensamente em dez cidades brasileiras. Prepare a mala e o paladar, sente-se à mesa e desfrute um menu completo de sabores regionais por todo o país.
 
EM BELÉM:

COZINHA AMAZÔNICA DE RAIZ COM TOQUES AUTORAIS

 
Um pequeno recanto de mata nativa remanescente inspirou o nome do Remanso do Bosque, dos irmãos Thiago e Felipe Castanho, o único restaurante brasileiro na lista dos 50 Melhores da América Latina fora do eixo Rio-São Paulo, ocupando a 38º posição do ranking da publicação inglesa Restaurant. Antes, Thiago já havia sido apontado pelo The New York Times como um dos chefs mais inovadores do país. 

A dupla de maninhos une a quatro mãos apuro técnico e respeito aos ingredientes amazônicos para criar seus pratos, enfatizando com toques de modernidade todo o potencial e frescor dos produtos regionais e tradições culinárias de suas comunidades indígenas e ribeirinhas. As receitas têm um trabalho autoral e inventivo.
Os sabores locais e o talento de ambos podem ser conferidos em preparações como o filhote assado na brasa com macaxeira na manteiga e salada de feijão-manteiguinha. Ou os clássicos pirarucu defumado no leite de coco e a revisitada caldeirada paraense, feita pelos Castanho com filhote cozido no caldo de tucupi e jambu, mais mix de pimentões, tomate e camarão-rosa.

São também ótimas pedidas o gnocchi de banana com pirarucu defumado ao azeite de urucu e o mapará (peixe proveniente do baixo Tocantins) assado na folha de bananeira com tucupi e farinha-d'água. No capítulo das sobremesas, destaque para as feitas de chocolate proveniente da ilha do Combu, próxima à capital paraense, às margens do rio Guamá. Caso da mousse com nibs de semente de cacau, doce de cupuaçu e crumble de chocolate. Também vale a viagem até lá a torta de banana caramelada com cumaru, creme e canela.

REMANSO DO BOSQUE - Travessa Perebebuí, 2.350, Marco, Belém, Pará, tel. (81) 3347-2829; remansodobosque.com.br
 

EM BELO HORIZONTE: 


O SOTAQUE FRANCO-MINEIRO DE UM CERTO GLOUTON 
 
Sucesso de público e crítica em Beagá desde que abriu as portas em 2013, não por acaso este endereço ultrapremiado da capital mineira é uma unanimidade. De cozinha francesa contemporânea, o talentoso e irrequieto chef Leonardo Paixão amalgamou sua expertise apreendida na Escola Superior de Cozinha Francesa em Paris e nos fogões estrelados de Joel Robuchon e Pierre Gagnaire (após abandonar uma promissora carreira de médico), utilizando a base francesa e as suas mais variadas técnicas, com os sabores da roça de Minas.
 
O resultado? Uma cozinha instigante, inventiva e tecnicamente sofisticada que esbanja originalidade e sabor, extraindo o melhor dos ingredientes sazonais da culinária local. Com um cardápio de pronúncia franco-mineira, o qual se renova a cada época do ano com ótimas sacadas, viraram referências da melhor cozinha autoral deste chef belorizontino a aplaudidíssima costela de boi defumada em serragem de carvalho ao molho de café com angu de canjica branca. A papada de porco braseada e assada, mil-folhas de mandioca, molho de laranja. O gnocchi de fubá de moínho d'água, creme de taioba, cogumelos no Jerez.


O leitão confit com farofa crocante, compota de maçã, cachaça e molho de alho negro faz as honras do Glouton  - Divulgação O leitão confit com farofa crocante, compota de maçã, cachaça e molho de alho negro faz as honras do Glouton - Divulgação

E mais: o bourguignon de vinho de jabuticaba com pinhão cozido e farofa de buriti. Inesquecível tanto para o paladar quanto para os olhos, o coulis de coquinho azedo, sorbet de cagaita e pó de buriti é outro das criações-assinatura de Paixão, uma sobremesa e tanto, verdadeiro achado para se provar ajoelhado. 
 
GLOUTON - Rua Bárbara Heliodora, 59, Lourdes, tel. (31) 3292-4237 (75 lugares). www.glouton.com.br
 

EM CURITIBA:
 
A MESA MEDITERRÂNEA DA REPÚBLICA DE CURITIBA 
 
Com proposta consistente de culinária mediterrânea com toques contemporâneos, o acolhedor e agradável Artè é o primeiro restaurante do tarimbado e respeitado chef curitibano Armando Fuoco. Começou sua carreira-solo com o pé-direito, já que em pouco tempo, abocanhou uma série de prêmios da crítica especializada, além de arregimentar uma crescente e fiel clientela em seu primeiro ano de vida.
 
Da lavra de Fuoco são indicações certeiras e responsáveis pelo sucesso meteórico da casa o suave fettuccine com camarão ao molho de tangerina, o polvo grelhado com talharim de pupunha ao pesto genovese (o verdadeiro, feito com pinolis e manjericão italianos). O prime suíno ao molho pomodoro e burrata.
 
E o campeoníssimo papardelle ao molho de limão siciliano com alcachofra e camarão. No capítulo das sobremesas, são campeões os mil-folhas com doce de leite e mix de frutas vermelhas e a panna cotta de pistache com trio surpresa de chocolate. Criteriosa e fornida de ótimos rótulos, a carta de vinhos da casa é uma das melhores da cidade.

ARTÈ - Rua Francisco Rocha, 612, Batel, Curitiba, PR, tel. (41) 3013-6327.
 

EM FORTALEZA:
 
UM COMTEMPORÂNEO CLASSUDO DE ALMA CEARENS
 
Por trás deste endereço repleto de predicados, a começar pelo ambiente e o serviço requintados, está o talento do chef cearense Junior Souza. No comando dos fogões desde 2014, Souza, com passagem pelo restaurante do Mofarrej SP, exibe ótima técnica e boa dose de inventividade em preparações de acento contemporâneo executadas com esmero e delicadeza. 
 
Caso da combinação de camarão ao molho de maracujá, lagosta ao creme de coco, lula crocante e mexilhões à provençal. Da torre de sirigado (peixe) com manteiga de camarão e risoto de espinafre. E do carré de cordeiro ao mel de engenho, crosta de castanha e cuscuz


Camarões e pescados ultrafrescos fisgados na costa cearense brilham no menu do L'Ô de Fortaleza  - Arquivo Camarões e pescados ultrafrescos fisgados na costa cearense brilham no menu do L'Ô de Fortaleza - Arquivo

Também são dicas certeiras: o camarão flambado em vinho Sauternes, vieiras e risoto na tinta de lula e o bacalhau envolto em presunto cru, guarnecido de purê de batata com échalote e legumes. Entre as sobremesas, a casquinha de tuile de amêndoa recheada de creme de banana e sorvete de pipoca caramelada faz as honras do L'Ô.
 
L'Ô - Av. Pessoa Anta, 217, Praia de Iracema, Fortaleza, CE, tel. (85) 3265-2288, www.lorestaurante.com.br 
 
 
EM FLORIANÓPOLIS:

EM FLORIPA, OSTRAS ESTUPENDAS E OUTRAS PRECIOSIDADES DO MAR
O trocadilho do nome desse restaurante catarinense já entrega: as ostras do Pacífico, ultrafrescas, gigantes e de sabor incomparável, são o carro-chefe que fizeram a sua fama. Quase 30 quilômetros separam o centro da capital, Florianópolis, de Ribeirão da Ilha, distrito da cidade onde está localizado o Ostradamus. Mas cada minuto gasto compensam o deslocamento até lá. Criado pelo "manezinho da ilha" Jaime Barcelos, entre os trunfos da casa, há, um depurador para a higienização dos moluscos que são trazidos de uma fazenda marinha própria, a cerca de 3 quilômetros dali.
 
Depois de retiradas do mar, eles passam por um processo de limpeza de doze horas. Principal item do menu, as ostras chegam à mesa em dúzias, servidas de diversas formas: in natura, ao bafo (cozido no vapor), gratinadas, com martini e limão, flambadas no conhaque, com mel e gengibre e até sob a forma de ceviche. Mas também há outras boas pedidas com sabor de mar com sotaque regional. Caso da panela de siri-mole com arroz e pirão. Do polvo ao bafo com pimentão, azeite, alho e louro, batatas ao murro e arroz. Para harmonizar com os pratos, há uma oferta ampla com mais de 300 rótulos, entre importados e nacionais, incluindo os ótimos brancos de altitude da serra catarinense.
 
OSTRADAMUS - Rod. Baldicero Filomeno, 7640 - Reibeirão da Ilha, Florianópolis, SC, tel. (48) 3337-5711; ostradamus.com.br
 
 
EM PORTO ALEGRE:

COZINHA DE FUSÃO E DE OUSADIAS ASIÁTICO-GAÚCHAS

Embora este endereço superpremiado de Porto Alegre leve o nome do conhecido talher oriental, sob a forma de palitinhos de madeira, a culinária de fusão do Hashi Art Cuisine não se inspira apenas na milenar e hoje globalizada cozinha japonesa. Além de seu sempre elogiado capítulo de sushis e sashimis de pescados crus, o irrequieto chef Carlos Kristensen, cuja experiência internacional foi moldada na Austrália, Malásia, Índia, Nepal e Tailândia, dentre outros lugares que perambulou mundo afora, imprime acento contemporâneo e autoral em suas criações sempre ousadas e que fogem da zona de conforto e do senso comum.
 
Além disso, o chef gaúcho é um incansável pesquisador de ingredientes coloniais provenientes de produtores artesanais do Rio Grande do Sul e a eles têm destinado atenção especial e lugar de honra em suas preparações, que surgem em renovados menus-degustação de sete e oito pratos, que sua clientela costuma provar e aplaudir. Com boas pitadas de inventividade, surpreende misturando técnicas modernas às tradicionais, ingredientes locais àqueles já conhecidos e consagrados.
 
Nessa linha, são ótimos exemplos a polenta crocante de milho crioulo coberta de ragu de cogumelo e broto de agrião, o costelão assado na parrilla por doze horas e servido ao lado de batata-doce defumada, pirão de feijão e radiccio baby com bacon. Ou o ganso curado (que Kristensen busca na cidade de Prado Novo, interior gaúcho), guarnecido com sagu de Jurupinga.
 
Pratos primorosos elaborados com ingredientes inusuais, como o filhote (peixe amazônico) e o queijo serrano (produzido em Campos de Cima da Serra), também são encontrados no seu menu tradicional. Assim como o creme brûlée da casa, clássico gaulês que ali ganha novas versões: a de doce de leite e goiaba-cascão caseiros. 
 
HASHI ART CUISINE - Rua Desembargador Augusto Loureiro Lima, 151, Bela Vista, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3328-0005. 


NA CAPITAL DO CHURRASCO, UM OÁSIS THAI 
 
Com quase três décadas de vida, o Koh Pee Pee, especializado em cozinha thai, é um dos principais representantes da instigante culinária do sudeste asiático não só na região Sul mas em todo o país. Pioneiro e um dos poucos existentes ainda no Brasil, nasceu na paradisíaca praia do Rosa, município de Garopaba, litoral catarinense, onde arrastava uma legião de admiradores, sobretudo gaúchos. Daí, transferir-se para Porto Alegre foi um passo - e certeiro. Lá, fincou raízes, confirmando sua fama e reputação ao protagonizar ao longo do tempo uma culinária vigorosa, genuína e consistente.


O salmão de paladar tentadoramente picante é uma das especialidades da cozinha thai do Koh Pee Pee de Porto Alegre - Arquivo O salmão de paladar tentadoramente picante é uma das especialidades da cozinha thai do Koh Pee Pee de Porto Alegre - Arquivo

Em três bancadas no salão, repleto de referências tailandesas, cozinheiros executam as receitas à vista dos clientes, sob o olhar da chef Zelda Dal"Molin. Provenientes das woks, onde são finalizados os pratos de nomes por vezes impronunciáveis, os aromas dos temperos liberam um perfume inebriante que toma conta do lugar.
 
Delas saem, por exemplo, os clássicos pato ao molho curry e pad thai, um macarrão de arroz frito com molho agridoce, tofu, amendoim, broto de feijão e camarão, bem como o kaeng phanaeng thaleh - delicados lagostins, vieiras e camarões mergulhados em molho à base de curry e especiarias numa provocante mistura de aromas e sabores.
Para fechar a refeição, são pedidas campeãs o sangkaya (espécie de creme brûlé à base de leite de coco tailandês e com lâminas do próprio fruto) e o Kanom Krok (panquecas de coco muito leves com calda de açúcar de palmeira e sorvete de creme).


KOH PEE PEE - Rua Schiller, 83, Rio Branco, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3333-5150; www.kohpeepee.com.br
 
 
EM SALVADOR:   
 
MESA REGIONAL REVISITADA FEITA A QUATRO MÃOS
Com uma proposta autoral e instigante que tem a culinária e os biomas baianos como foco principal, o casal Fabrício Lemos e Lisiane Arouca costuma surpreender o gourmet com um menu-degustação de treze receitas, e cujas preparações são renovadas a cada dia. Elaboradas a quatro mãos em apresentações primorosas, as criações da dupla são reveladas aos comensais só na hora de servi-las, quando os garçons se encarregam de fazer uma descrição detalhada de cada.

Soteropolitano criado no bairro do Bonfim, Lemos é um chef criativo e extremamente talentoso, cuja carreira se consolidou ali mesmo na capital baiana. Formado na Le Cordon Bleu, de Paris, comandou algumas das melhores cozinhas da cidade, como os estrelados Al Mare e o Amado, do chef paulista Edinho Engel, dono do Manacá, em São Sebastião.Mas é nas próprias raízes que ele busca as suas melhores referências, explorando com desenvoltura ingredientes dos quatro cantos da Bahia.

A carne de fumeiro de Maragogipe, por exemplo, é exaltada em preparos como o baião de dois de arroz negro, que chega à mesa acompanhado de mignon black angus e ovo de codorna frito. Além de caipirinhas com frutas regionais e do couvert que foge do lugar comum, entradas e pratos apresentam em comum boa dose de ousadia.
 
Caso do peixe curado ao molho beurre blanc, à base de manteiga com limão, pó de beterraba e crocante de milho e o camarão grelhado servido com nhoque de banana-da-terra sobre molho de moqueca.Em fina sintonia dentro e fora da cozinha com a mulher Lisiane, que é chef-pâtissier de mão cheia, as sobremesas da casa também enaltecem a rica matéria-prima regional, como o creme de limão-rosa com morango, farofa crocante e sorvete de carvão vegetal, que costuma arrancar elogios.
 
ORIGEM - Alameda das Algarobas, 74, Pituba, Salvador, BA, tel. (71) 99202-4587; www.restauranteorigem.com.br
 
 
VIAGEM PELAS RAÍZES E SABORES BAIANOS

O chef autodidata baiano Beto Pimentel, fazendeiro e agrônomo de formação, cultiva mais de 6.000 espécies de frutas e hortaliças, muitas delas raras e incomuns, bem ao lado de seu restaurante, em plena capital baiana, não por acaso batizado de Paraíso Tropical.
 
Sucesso de público e crítica há mais de duas décadas e referência da melhor cozinha baiana de raiz da cidade, dali ou da fazenda da família, em Bom Jesus dos Pobres, a pouco mais de 100 quilômetros da capital baiana, saem ingredientes como jambo, maturi (castanha de caju verde) e biri-biri (fruta da família da carambola) que dão sabor às suas festejadas moquecas e fizeram a fama da casa. 


O ambiente em meio à Mata Atlântica, em plena Salvador, é outro grande trunfo do do Paraíso Tropical - Divulgação O ambiente em meio à Mata Atlântica, em plena Salvador, é outro grande trunfo do do Paraíso Tropical - Divulgação

Uma delas, cunhada curiosamente por Pimentel de calapolvo, combina camarão, polvo e lagosta e chega à mesa na companhia de arroz com ervas aromáticas e farofa de banana. Folhas de cítricos, a exemplo da tangerina, são finamente picadas e garantem perfume singular ao preparo, que carrega ainda outros dois ingredientes que suavizam a receita: o azeite de dendê é trocado pela frutinha da palmeira e o leite de coco dá lugar a água e polpa do fruto verde. 
Além das moquecas, cerca de 2.000 cocos são usados por semana pelo chef baiano, valorizando preparações, como o dandá de camarão servido com ervas e farofa de manteiga de garrafa. Outra atração é o ambiente, dos mais aprazíveis, onde no passado funcionou uma rinha de galo.
 
Duas frondosas jabuticabeiras propiciam sombra refrescante sob a qual se acomodam mesinhas ao ar livre. Ali, ou mesmo nos outros dois ambientes, pode-se iniciar a refeição, bebericando caipirinhas e beliscando porçõezinhas irresistíveis, como a de siri mole empanado e frito e servida com molho à base de pimenta e limão. 
 
PARAÍSO TROPICAL - Rua Edgard Loureiro, 98-B. Cabula, Salvador, BA, tel. (71) 3384-7464; www.restauranteparaisotropical.com.br
 
 
EM OLINDA:   


NO HISTÓRICA OLINDA, UMA COZINHA REGIONAL DE CARA ATUAL E CONTEMPORÂNEA


Espetado no coração do centro histórico de Olinda, patrimônio mundial da humanidade, o Beijupirá, com sua vista estupenda dos telhados, casarios e coqueirais da Cidade Alta, é um super programa não só para o paladar mas para os olhos. Pioneira, a chef pernanmbucana Adriana Didier construiu sua fama de ótima cozinheira e incentivadora da culinária regional a partir do sucesso longevo da matriz homônima, situada em Porto de Galinhas, litoral sul pernambucano, aberto no início dos anos 90.

Autodidata, jamais frequentou nenhum Cordon Bleu da vida. Quando começou a mesclar frutas com pratos salgados, poucos faziam isso em Pernambuco, cuja cozinha tradicional é marcada por preparos pesados. Fazem sucesso, além de seu inusitado croquete de sapapatel, o peixe beijucastanha, beijucanela, beijupitanga e beijumanga.
 
Todos são feitos à base de filé de peixe que batiza a casa: o nobre beijupirá. O primeiro é coberto com manteiga de castanha, arroz de espinafre e batatas na manteiga. Já o segundo, o peixe vem perfumado com canela, arroz de curry, banana passada no coco com molho de tamarindo.
 
O terceiro, por sua vez, é frito na chapa e acompanha arroz de castanha, batata no azeite e molho na pitanga. O último também é frito e salpicado com gergelim crocante e acompanha banana no mel de curry e arroz ao molho de manga. Anote ainda: o croquete de sarapatel . Das sobremesas, o crepe com sorvete de tapioca, mel de engenho e xerém de castanha tem uma legião de fãs dessa criação de Adriana. 
 
BEIJUPIRÁ - R. Saldanha Marinho - Amparo, Olinda (PE), tel. (81) 3439-6691; www.beijupira.com.br 
 
 
(*) MARCO MERGUIZZO é jornalista profissional especializado em gastronomia, vinhos, turismo e estilo de vida. Confira outras novidades no Instagram (@blog1gole1garfada1viagem) ou clique aqui e vá direto para a página do blog no Facebook.